A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa Selic em julho em 15% ao ano reflete o atual cenário econômico de desaceleração e as pressões inflacionárias persistentes. A medida foi tomada por unanimidade e sinaliza uma postura cautelosa do Banco Central diante das incertezas externas, especialmente relacionadas à política comercial dos Estados Unidos.
Selic em julho permanece estável após ciclo de altas
Após sete elevações consecutivas entre setembro do ano passado e maio deste ano, o Copom decidiu manter a taxa básica de juros em 15% ao ano. Essa estabilidade ocorre após a Selic ter subido de 10,5% para o atual patamar, atingindo o maior nível desde julho de 2006. A pausa representa o encerramento momentâneo de um ciclo de aperto monetário iniciado para conter a inflação, que ainda apresenta resistência à queda.
O Banco Central justificou a manutenção da taxa mencionando o aumento das incertezas externas, especialmente em relação à imposição de tarifas comerciais pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A autoridade monetária destacou que continuará vigilante e poderá retomar os ajustes na taxa caso a conjuntura econômica exija.
Inflação ainda pressiona o Banco Central
A Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em junho, o IPCA desacelerou para 0,24%, mas ainda acumula alta de 5,35% nos últimos 12 meses, superando o teto da meta definida para o período.
Já o IPCA-15 de julho, considerado uma prévia do índice oficial, apresentou aceleração, impulsionado pelo aumento nos preços da energia elétrica e das passagens aéreas. Esses dados mostram que, apesar da desaceleração em alguns setores, a inflação ainda não está totalmente sob controle.
Novo regime de metas de inflação
Desde janeiro, o Brasil adota o modelo de meta contínua de inflação. Nesse sistema, o Banco Central persegue uma meta de 3% ao ano, com uma faixa de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Ou seja, os limites inferior e superior são de 1,5% e 4,5%, respectivamente.
O diferencial desse modelo está na apuração da inflação mês a mês, com base no acumulado de 12 meses, sem depender exclusivamente do índice fechado do ano. Em junho de 2025, por exemplo, será considerada a inflação de julho de 2024 a junho de 2025 para avaliar o cumprimento da meta.
Perspectivas para a inflação e a economia
No último Relatório de Política Monetária, divulgado em junho, o Banco Central reduziu sua projeção para o IPCA de 2025, passando de 5% para 4,9%. Essa estimativa, no entanto, pode ser revista nos próximos meses, dependendo da volatilidade cambial e dos novos dados inflacionários. A próxima edição do relatório está prevista para o fim de setembro.
Enquanto isso, as projeções do mercado são mais pessimistas. De acordo com o boletim Focus, que reúne estimativas de analistas financeiros, a inflação deve encerrar 2025 em 5,09%, ainda acima do teto da meta. Há um mês, a previsão estava em 5,2%, indicando leve melhora na percepção, mas ainda sem alcançar a meta estipulada.
Impacto da Selic na economia e no crédito
A manutenção da Selic em 15% tem efeitos diretos sobre o crédito, o consumo e o investimento. Taxas mais altas tornam o crédito mais caro para empresas e consumidores, reduzindo o ritmo da economia. Por outro lado, esse encarecimento ajuda a conter a demanda, o que alivia a pressão sobre os preços.
O Banco Central projeta um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,1% em 2025. Já os analistas do mercado, segundo o boletim Focus, estimam uma expansão um pouco maior, de 2,23%. O desempenho da economia dependerá, entre outros fatores, do comportamento da inflação e da política de juros adotada nos próximos meses.

