Mais de 8 mil farmácias foram excluídas do programa Farmácia Popular após a identificação de irregularidades em uma ampla investigação da Polícia Federal. A ação revelou um esquema criminoso que usava farmácias de fachada para desviar recursos públicos e financiar o tráfico de drogas. O impacto da fraude levantou preocupações sobre a segurança e o controle dos dados utilizados no programa, que é um dos mais populares do governo federal.
Farmácias descredenciadas por suspeitas de fraude
Segundo o diretor do Departamento Nacional de Auditoria do SUS, Rafael Bruxellas Parra, ao menos 8.138 farmácias foram retiradas do Farmácia Popular após a constatação de indícios de irregularidades. A base de dados do programa, que contava com cerca de 31 mil estabelecimentos em janeiro de 2023, passou por uma triagem para atualização e início de um novo processo de recredenciamento.
Apesar do número expressivo de exclusões, o diretor não especificou quantas dessas farmácias estão diretamente ligadas ao esquema de desvio de recursos com vínculos ao tráfico de drogas.
Como funcionava o esquema criminoso
A investigação da Polícia Federal identificou que o grupo criminoso criou uma rede de farmácias de fachada espalhadas por diversos estados, incluindo Goiás, São Paulo, Pernambuco, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. As fraudes utilizavam CPFs de pessoas inocentes, endereços aleatórios e compra e venda de CNPJs em nome de laranjas para registrar falsas retiradas de medicamentos subsidiados.
Cerca de R$ 40 milhões foram desviados do programa, segundo as apurações. Parte desses valores teria sido usada para a compra de cocaína na Bolívia e no Peru, além de lavagem de dinheiro para abastecer o tráfico.
O uso da estrutura do Farmácia Popular pela quadrilha
As investigações revelaram que o dinheiro desviado pode ter sido repassado a outros envolvidos, como Fernando Piolho e Adriano Rezende Rodrigues, conhecido como “Adriano Tatu”. Este último é sócio de uma farmácia em Cerquilho (SP) que recebeu quase R$ 1 milhão do programa. As operações fraudulentas ocorreram em pelo menos 148 farmácias, entre reais e de fachada, com a utilização de cerca de 160 mil CPFs.
Apesar das fraudes, o programa Farmácia Popular não será encerrado. O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, garantiu que o programa continuará ativo. Com mais de 20 anos de existência, ele é considerado um dos programas mais populares do país, por oferecer medicamentos gratuitos ou com até 90% de desconto. Segundo Rodrigues, os casos de fraude evidenciam a necessidade de maior vigilância e aprimoramento dos sistemas de controle.

