*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A investigação do assassinato a tiros, que vitimou o ex-jogador de vôlei Everton Fagundes Pereira, aponta para um crime passional. Segundo a polícia, o empresário Idirley Alves Pacheco, é principal suspeito do homicídio. Apesar da defesa ter relatado que o acusado estaria sendo, supostamente, extorquido pela vítima, o delegado Caio Albuquerque, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), afirma que os elementos reunidos até o momento na investigação indicam crime passional. A vítima teria, supostamente, envolvimento amoroso com a ex-mulher do acusado.
“Fizemos o interrogatório do autor. Ele apresenta a tese de que estava sendo vítima de extorsão por parte da vítima, por parte da sua ex-mulher, mas tudo indica que essa é uma alegação isolada dele. Por outro lado, os elementos que temos nos autos indicam que a motivação é passional, devido ao possível relacionamento amoroso da vítima com a ex-esposa do autor. As investigações vão seguir, e todos os elementos serão acostados aos autos para demonstrar a real motivação”, afirmou Albuquerque.
A ALEGAÇÃO DA DEFESA
O empresário Idirley Alves Pacheco, principal suspeito de ter assassinado a tiros o ex-jogador de vôlei Everton Fagundes Pereira, conhecido como “Boi”, prestou depoimento e deixou a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cuiabá em silêncio na tarde da última segunda-feira, dia 14 de julho. Após se apresentar voluntariamente, Idirley foi encaminhado ao Fórum para a audiência de custódia.
A defesa do empresário trouxe uma nova versão para o crime, negando a motivação passional e alegando que o ato foi consequência de uma suposta extorsão praticada pela vítima.
“Vítima se apropriava de bens” durante divórcio, diz defesa.
De acordo com o advogado de defesa, Rodrigo Pouso, Everton Fagundes teria se aproximado de Idirley e de sua ex-esposa como um “conciliador” durante o processo de divórcio. No entanto, segundo a alegação do empresário, Everton estaria, na verdade, se apropriando dos bens do casal durante a partilha.
“Mas a hora que ele deparou, essa pessoa [Everton] já estava levando tudo, inclusive era ele que estava dirigindo a caminhonete”, afirmou o advogado, referindo-se ao veículo em que o corpo da vítima foi encontrado sem vida.
Pouso detalhou que Idirley acusa Everton de ter se “apropriado” de R$ 70 mil, um terreno e a própria caminhonete. Segundo a defesa, a vítima “almejava dinheiro”.
O advogado alegou que a arma usada por seu cliente para matar Everton estava com a vítima, e que o crime não foi premeditado. Idirley teria se desfeito da arma durante a fuga e chegou a levar a polícia ao suposto local, mas o armamento não foi encontrado.
O empresário alegou que o primeiro disparo ocorreu quando a vítima bateu o carro contra outro veículo, e em seguida, foram efetuados mais dois tiros.
“O Everton jogou o carro para cima do outro carro. O primeiro disparo foi no momento da batida e os demais ele deu sequencial”, disse Pouso.
Ainda segundo o advogado, a vítima teria mudado a rota prevista, não levando o cliente para casa, como teria sido combinado previamente.
Everton Fagundes Pereira foi assassinado a tiros na noite da última quinta-feira, dia 10 de julho, nas proximidades da Avenida República do Líbano, em Cuiabá.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil. O delegado responsável pelo caso é Caio Albuquerque, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que falou sobre a versão da defesa:
“É uma versão dele. Ele tem o direito de permanecer em silêncio ou de apresentar a narrativa que melhor lhe convier. A polícia vai apurar com responsabilidade”, disse ele.

