*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A recente ameaça de aumento tarifário dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros acendeu um alerta entre os produtores rurais de Mato Grosso. As associações do agronegócio do estado preveem um cenário de inflação, alta no preço dos alimentos e desemprego no Brasil, com impactos diretos no bolso do consumidor.
Lucas Beber, presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja-MT), expressou forte preocupação.
“Essa tarifa pode aumentar o custo do prato do brasileiro”, alertou Beber. Ele enfatizou que os Estados Unidos são grandes importadores de carne bovina e de frango do Brasil, o que impacta o mercado de grãos.
“Vai interferir no preço da soja e do milho, essenciais na nutrição animal. Isso pressiona o custo da alimentação e, no fim das contas, o bolso da população”, argumentou o presidente da Aprosoja-MT.
A Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) reforçou o temor pela cadeia da carne bovina. Para ele, a nova tarifa inviabiliza as exportações para os EUA. Na prática, a taxação elevaria o preço pago pela tonelada da carne brasileira para cerca de US$ 8.600.
“Retira nosso produto da concorrência para esse mercado tão importante”, lamentou Oswaldo Pereira Ribeiro Júnior, presidente da Acrimat.
DEPENDÊNCIA DE INSUMOS E COMBUSTÍVEIS
Além dos alimentos, os produtores destacam a vulnerabilidade do Brasil à tarifa devido à sua dependência de insumos essenciais importados dos EUA, como diesel, gasolina e máquinas agrícolas de alta tecnologia.
DÚVIDA SOBRE A MEDIDA DE TRUMP
Apesar do rechaço à medida, especialmente para o agronegócio, o presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Leonardo Bortolin (MDB), expressou ceticismo sobre a efetivação da tarifa. Bortolin afirmou que não acredita que o ex-presidente Donald Trump levará a medida adiante apenas para tentar intervir na política interna de outro país.
“Eu acredito que por este motivo, ele não vai prejudicar uma nação inteira de mais de 200 milhões de habitantes, né? Não é possível que aconteça o maior líder mundial de acabar prejudicando uma sociedade como um todo devido a uma situação política nacional”, declarou Bortolin.
Ele reforçou sua esperança de que a medida não se concretize:
“Então, eu acredito muito que isso não vai acontecer, porque com certeza traria um dano econômico muito grande para o estado de Mato Grosso, até que o estado consiga se reorganizar com outros centros consumidores ou importadores. Então eu quero crer que isso de fato não vai acontecer.”

