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Leia: Fraude no INSS: Indígenas e pessoas com deficiência eram os principais alvos dos sindicatos
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Fraude no INSS: Indígenas e pessoas com deficiência eram os principais alvos dos sindicatos

CGU e PF revelam fraude bilionária no INSS com descontos indevidos em benefícios de aposentados, pensionistas e pessoas com deficiência.

Redação OPMT
Publicado em: 1 de maio de 2025
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4 Minutos de Leitura
Fraude no INSS: Indígenas e pessoas com deficiência eram os principais alvos dos sindicatos
Frei Chico, irmão do Presidente Lula, é vice presidente de um dos sindicatos investigados pela PF e CGU. Imagem: Redes Sociais.
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Uma investigação conduzida pela Controladoria-Geral da União (CGU) e pela Polícia Federal (PF) revelou um esquema de fraudes bilionárias em benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A operação identificou que os principais alvos dos golpistas, eram indígenas, pessoas com deficiência, pessoas com problemas mentais, aposentados e pensionistas em situação de extrema vulnerabilidade. 

Esquema envolvia entidades sindicais e associações em todo o país

De acordo com os dados apurados, o esquema contava com a participação de entidades sindicais e associações que, sem o devido consentimento dos beneficiários, realizavam descontos mensais nos pagamentos do INSS. Entre as vítimas, encontram-se pessoas com deficiência, indígenas analfabetos, pacientes acamados e moradores de áreas rurais remotas. Muitos deles não possuem condições físicas, cognitivas ou sequer acesso geográfico que permitisse qualquer tipo de adesão voluntária.

A investigação revelou ainda que esses beneficiários foram inseridos em cadastros associativos sem qualquer processo legítimo de validação de vontade. Em muitos casos, os beneficiários sequer sabiam que estavam vinculados a alguma entidade.

Dentre as 29 entidades investigadas, nenhuma foi capaz de comprovar, de forma documental ou processual, a autorização dos descontos feitos nos benefícios. Em sete dessas entidades, o percentual de beneficiários que negaram ter autorizado qualquer filiação ultrapassa os 70%, chegando a até 99% dos entrevistados. Além disso, todos os entrevistados relataram desconhecimento total sobre qualquer vínculo associativo.

As irregularidades também envolvem a distância entre os beneficiários e as sedes das associações. Alguns aposentados estavam vinculados a sindicatos localizados a até 957 quilômetros de distância de suas residências. Para a CGU, isso reforça a tese de que os vínculos são fictícios, já que a locomoção até outras unidades da federação seria praticamente impossível, especialmente para pessoas idosas e com deficiência.

A CGU recomenda medidas urgentes ao INSS

Em resposta à gravidade da situação, a CGU recomendou ao INSS a suspensão imediata de novos descontos de mensalidades associativas, bem como o aprimoramento dos procedimentos para formalização, execução, suspensão e cancelamento de Acordos de Cooperação Técnica com entidades.

Além disso, a CGU defende a implementação de mecanismos como biometria e assinatura eletrônica para garantir a comprovação do consentimento dos beneficiários, principalmente aqueles em condição de maior vulnerabilidade, como as pessoas com deficiência. A ausência de ferramentas de validação foi apontada como uma das causas que permitiram a proliferação do esquema fraudulento.

Operação visa proteger aposentados, pensionistas e pessoas com deficiência

O ministro da Controladoria-Geral da União, Vinícius de Carvalho, destacou que a operação vai além do combate à corrupção, sendo também uma ação de proteção aos aposentados, pensionistas e pessoas com deficiência, que representam uma parcela significativa dos prejudicados.

Segundo Carvalho, cerca de 6 milhões de brasileiros sofrem descontos mensais em seus benefícios por conta de adesões associativas, muitas vezes realizadas sem conhecimento prévio. Ele reforçou que a falta de fiscalização contribuiu para que o número de descontos crescesse descontroladamente, comprometendo a renda de cidadãos já fragilizados.

A apuração conjunta entre a CGU e a Polícia Federal expôs um grave esquema de fraudes no INSS que afetou diretamente aposentados, pensionistas e pessoas com deficiência, vítimas de descontos indevidos em seus benefícios. 

A ausência de consentimento, a distância geográfica das entidades e a falta de mecanismos de verificação reforçam a urgência de reformulações no sistema de validação do INSS. As medidas propostas visam restabelecer a proteção desses cidadãos e garantir maior transparência nas relações com entidades sindicais e associativas.

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