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OpiniãoMT > Blog > Economia > Preço da carne deve aumentar na primeira semana de janeiro
Economia

Preço da carne deve aumentar na primeira semana de janeiro

Alta no preço da carne bovina no Brasil reflete demanda interna e exportações aquecidas, além de efeitos da seca e mudanças no ciclo pecuário.

última atualização: 27 de dezembro de 2024 16:11
Redação OPMT
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4 Minutos de Leitura
Preço da carne deve aumentar na primeira semana de janeiro
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O preço da carne no Brasil continua em alta, impulsionado por uma forte demanda doméstica e exportações crescentes, mesmo diante dos desafios impostos pela seca. A pecuária nacional, responsável por um recorde de produção, enfrenta impactos que pressionam ainda mais os custos para o consumidor e, a previsão, é novos reajustes a partir de janeiro de 2025.

Alta contínua no preço da carne  

A produção de carne bovina no Brasil deve atingir 10,2 milhões de toneladas neste ano, um recorde histórico. Contudo, mesmo com a alta oferta, o preço da carne não demonstra sinais de queda. Isso se deve, em grande parte, à mudança no ciclo pecuário e aos efeitos da estiagem que afetaram as pastagens em diversas regiões do país.  

A seca prolongada foi apontada como um dos fatores que intensificaram a inflação de curto prazo. Na última ata do Comitê de Política Monetária (Copom), essa questão foi mencionada como justificativa para a elevação da taxa Selic, que subiu de 11,25% para 12,25% ao ano.  

O aumento no preço da carne também foi destaque no Relatório Trimestral de Inflação do Banco Central, publicado recentemente. O documento revelou que, embora o mercado já esperasse uma redução na oferta de animais para abate devido ao ciclo pecuário, a alta dos preços ocorreu de forma mais intensa e antecipada do que o previsto.  

Segundo o relatório, a carne bovina teve uma alta acumulada de 15,43% nos últimos 12 meses até novembro, enquanto a inflação geral do período foi de 4,87%. Essa diferença evidencia o impacto significativo do setor no bolso do consumidor.  

Exportações e demanda doméstica elevadas  

O mercado interno enfrenta pressões adicionais devido à forte demanda doméstica, que coincidiu com exportações mais agressivas, principalmente para mercados como o chinês. Essa dinâmica tem contribuído para manter os preços da carne em patamares elevados, mesmo com ganhos de produtividade da pecuária brasileira.  

A adoção de tecnologias e o padrão “Boi China” têm permitido que os animais sejam abatidos mais jovens e pesados, atendendo às exigências do mercado internacional. No entanto, esses avanços não foram suficientes para conter os impactos da alta demanda e da estiagem.  

Evolução da Arroba do Boi Gordo  

Nos últimos meses, a cotação da arroba do boi gordo apresentou uma escalada considerável. De R$ 180 há um semestre, os preços atingiram picos de R$ 350, estabilizando-se acima de R$ 300. Essa valorização reflete não apenas os desafios internos, mas também a competitividade do Brasil no mercado global de carne bovina. 

Para o pesquisador Thiago Bernardino, da Universidade de São Paulo, a volatilidade no preço da carne nos últimos meses é sem precedentes. Ele destacou que nunca se observou uma oscilação tão rápida em tão curto período. Essa gangorra de preços impõe desafios tanto para produtores quanto para consumidores, que enfrentam o peso da alta nos custos de produção e no consumo.

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