*Sêmia Mauad/ Opinião MT
Um grave incidente de trânsito seguido por uma perseguição de quatro quilômetros, na noite da última quarta-feira, dia 3 de junho, em Rondonópolis, transformou-se em embate político e judicial. A empresária Raquel Becker Mattei, de 51 anos, que preside o diretório municipal do partido Novo, utilizou as redes sociais para denunciar o também empresário Carlos Eduardo Caliman por manobras perigosas, ameaças e ofensas.
A repercussão do caso forçou o acusado a vir a público. Em vídeo gravado, Caleman apresentou uma versão diferente do estopim da briga, embora tenha pedido desculpas pelos excessos verbais trocados.
O RELATO DE RAQUEL MATTEI: “INTOLERÂNCIA POLÍTICA”
De acordo com o Boletim de Ocorrência registrado por Raquel, ela retornava de um jantar com a filha mais nova pela Avenida Lions Internacional, em frente ao cemitério da Vila Aurora, quando o motorista de uma caminhonete começou a gesticular e buzinar agressivamente ao seu lado. Acreditando ser um aviso mecânico, ela baixou o vidro e passou a ser alvo de insultos. A filha de Raquel gravou parte da ação em vídeo.
Nas redes sociais, a líder partidária desabafou sobre o pânico que viveu até conseguir abrigo na portaria do condomínio onde reside.
“Fui perseguida, humilhada, xingada pelas palavras mais horríveis, por um homem furioso, que me perseguiu por mais de 4 km. Ele jogou a caminhonete em cima do meu carro por várias vezes, quase provocando um acidente. Demorei um pouco para entender o porquê daquele ódio todo, até descobrir que tudo isso era por conta de um adesivo que estava atrás do meu carro [do pré-candidato a deputado federal Vinícius Santana, do Novo]. Um homem covarde me perseguiu até a entrada do meu condomínio, não sei o que ele queria fazer comigo e minha filha, mas sei e sentimos muito medo. A intolerância política é algo que não podemos aceitar”, declarou Raquel.
O OUTRO LADO: CALEMAM NEGA MOTIVAÇÃO ELEITORAL E ALEGA “GATILHO” DO PASSADO
Em contrapartida, o empresário Carlos Eduardo Caliman, proprietário de uma franquia de chocolates no shopping da cidade, gravou um vídeo pedindo desculpas pelas ofensas verbais mútuas, mas negou veementemente que a confusão tenha sido motivada pelo adesivo político ou que tenha viés eleitoral.
Segundo a versão de Caliman, a discussão começou porque o veículo de Raquel teria invadido a faixa em que ele estava na Avenida Lions. Ele gesticulou reclamando da manobra e, a partir daí, ambos baixaram os vidros e passaram a trocar insultos. O comerciante explicou que perdeu o controle emocional devido a um “gatilho” relacionado a perseguições comerciais que sofreu após o pleito de 2022, quando seu comércio foi incluído em listas de boicote a estabelecimentos supostamente petistas. A exposição atual o forçou a fechar as portas temporariamente, afetando 15 famílias.
“Eu comecei a ofender ela, e ela me ofender também, por causa disso aqui [disse, mostrando a lista de boicote]. Na hora que aconteceu, me remeteu ao passado, essa lista que fizeram logo após as eleições de 2022, lista de lojas para que as pessoas de Rondonópolis não comprassem porque essas lojas eram petistas. Eu vou até ler aqui a primeira parte dessa barbaridade que fizeram com a gente, que não somos nem ligados em política. Inclusive eu já pedi para o diretório do PT aqui soltar uma nota, dizendo que eu nunca fui filiado a partido nenhum, eu não tenho partido. Eu não tenho nada contra essas pessoas, só penso diferente deles politicamente e ideologicamente e eu acho que tenho que ser respeitado por isso”, afirmou o empresário.
Caliman informou que também registrou um boletim de ocorrência contra Raquel por calúnia, difamação e perseguição reiterada.
NOTAS OFICIAIS E DESDOBRAMENTOS PARTIDÁRIOS
O caso inflamou a política local. O empresário Marcelo Maluf publicou uma nota de solidariedade a Raquel, afirmando que “a democracia exige respeito, mesmo quando existem divergências”.
Por outro lado, o pré-candidato Vinícius Santana (Novo) chama o empresário de “comunista” e “petista”, e convocou um protesto em frente ao shopping.
Diante do envolvimento da sigla no debate, o presidente municipal do PT, Julio Cesar, negou qualquer vínculo com o acusado:
“O Sr. Carlos Eduardo Caliman não pertence aos quadros do Partido dos Trabalhadores de Rondonópolis”.
A Direção Executiva do PT na cidade também emitiu nota oficial repudiando o que chamou de calúnias promovidas por lideranças “extremistas e oportunistas de internet” para gerar engajamento digital através de ataques à militância. O texto enfatizou que o empresário não participa de atividades partidárias, criticou a ampla divulgação de uma “versão unilateral” e defendeu que o episódio de trânsito seja devidamente apurado no âmbito da Justiça, advertindo que acionará o setor jurídico contra qualquer difamação feita contra a legenda.
VEJA VÍDEOS

