A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do medicamento Xcopri, indicado para o tratamento de crises focais em adultos diagnosticados com epilepsia. A autorização foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) na segunda-feira, 9, e representa mais uma opção terapêutica para pacientes que não obtiveram resposta adequada com tratamentos anteriores.
O medicamento, cujo princípio ativo é o cenobamato, foi registrado pela Momenta Farmacêutica Ltda. A indicação é voltada a pessoas que continuam apresentando crises epilépticas mesmo após o uso de pelo menos dois tratamentos diferentes.
O que é a epilepsia e como ela afeta os pacientes
A epilepsia é um distúrbio neurológico caracterizado por crises recorrentes provocadas por alterações na atividade elétrica do cérebro. Essas descargas elétricas anormais podem desencadear diferentes tipos de manifestações clínicas, incluindo convulsões, perda de consciência ou mudanças temporárias no comportamento.
Além das crises em si, a doença está associada a outros impactos na qualidade de vida dos pacientes. Pessoas com epilepsia podem enfrentar riscos maiores de acidentes durante as crises, além de complicações médicas e episódios de morte súbita relacionados à condição.
A enfermidade também pode provocar consequências sociais e emocionais, como dificuldades de interação, limitações na rotina diária e maior incidência de problemas de saúde mental.
Aprovação do Xcopri no Brasil
A decisão da Anvisa autoriza o registro sanitário do medicamento no país, o que significa que o produto está autorizado para comercialização após cumprir os requisitos regulatórios de segurança, eficácia e qualidade.
No entanto, a disponibilização do medicamento nas farmácias brasileiras ainda depende de um passo adicional. Antes de chegar ao mercado, o preço máximo do produto deverá ser definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), órgão responsável por estabelecer valores para medicamentos no país.
Somente após essa definição o medicamento poderá ser comercializado oficialmente no território nacional.
Possível incorporação no SUS
Para que o medicamento seja disponibilizado no Sistema Único de Saúde (SUS), será necessário passar por uma avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec).
Esse processo analisa aspectos como eficácia clínica, custo-benefício e impacto no sistema público de saúde. Após a análise técnica, a decisão final sobre a incorporação cabe ao Ministério da Saúde.
Xcopri e a eficácia no tratamento da epilepsia
Estudos clínicos apresentados durante o processo de registro indicaram resultados relevantes na redução das crises epilépticas entre pacientes que participaram das pesquisas.
De acordo com os dados analisados, indivíduos que utilizaram doses diárias de 100 mg apresentaram uma redução de pelo menos 50% na frequência das crises em cerca de 40% dos casos.
Já entre os participantes que receberam doses de 400 mg por dia, a taxa de melhora chegou a 64%. Para comparação, no grupo que recebeu placebo — substância sem efeito terapêutico — a redução de crises foi observada em aproximadamente 26% dos pacientes. Esses resultados indicam potencial benefício para pessoas que apresentam epilepsia resistente aos tratamentos disponíveis atualmente.
Como o medicamento atua no organismo
O cenobamato, princípio ativo do medicamento, atua como um agente antiepiléptico que ajuda a reduzir a atividade elétrica anormal no cérebro. Ao modular determinados mecanismos neurológicos, o fármaco diminui a probabilidade de ocorrência de novas crises epilépticas.
Essa ação tem como objetivo contribuir para o controle da doença, principalmente em casos em que outras terapias não produziram o resultado esperado.
Contraindicações e cuidados
Apesar da aprovação, o medicamento possui restrições específicas de uso. Uma das contraindicações envolve pacientes que apresentam síndrome do QT curto familiar, uma condição genética rara relacionada ao funcionamento do coração.
Essa alteração pode provocar arritmias cardíacas, o que torna o uso do medicamento inadequado para pessoas com esse diagnóstico. Assim como ocorre com outros tratamentos farmacológicos, o uso do medicamento deve ser feito sob acompanhamento médico, que avaliará as condições clínicas do paciente e indicará a terapia mais adequada.

