*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A política cuiabana amanheceu sob o impacto de mais uma ação da Polícia Civil. Na manhã desta terça-feira, dia 27 de janeiro, a Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) deflagrou a Operação Gorjeta, que resultou no novo afastamento do vereador Chico 2000 (PL) e de dois servidores da Câmara Municipal de Cuiabá.
O ESQUEMA
As investigações da Deccor apontam para um esquema de peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro. O grupo, composto pelo vereador, servidores e um empresário, utilizava um instituto sem fins lucrativos para desviar recursos públicos.
O vereador direcionava emendas parlamentares para o instituto ou empresa parceira e, assim que o recurso era liberado pela Secretaria Municipal de Esportes ou pela Câmara, uma parte do valor era “devolvida” diretamente ao parlamentar.
Ao todo, a Justiça determinou o cumprimento de 75 ordens judiciais, mobilizando mais de 40 policiais. Entre as medidas estão o bloqueio de R$ 676.042,32 das contas dos investigados, sequestro de patrimônio: 7 veículos, 1 motocicleta, 1 embarcação, 1 reboque e 4 imóveis. Os envolvidos ainda devem entregar passaportes, estão proibidos de deixar a comarca e impedidos de acessar os prédios da Câmara e da Secretaria de Esportes.
CHICO 2000 É AFASTADO MAIS UMA VEZ
Este não é o primeiro revés jurídico de Chico 2000. O parlamentar acumula um histórico recente de operações.
Operação Perfídia (Abril/2025): Chico e o vereador Sargento Joelson foram afastados sob suspeita de receberem R$ 250 mil em propina para aprovar o parcelamento de dívidas tributárias ligadas às obras do Contorno Leste. Na época, provas incluíam transferências via Pix. Ambos retornaram aos cargos em setembro por decisão do TJ-MT.
Operação Rescaldo (Junho/2025): Deflagrada pela Polícia Federal, a operação investigou Chico 2000 por crimes eleitorais no pleito de 2024, envolvendo a suposta abordagem irregular de eleitores.

