O presidente Trump anunciou oficialmente que os Estados Unidos passaram a reconhecer de forma formal e legal o novo governo da Venezuela, atualmente liderado pela presidente interina Delcy Rodríguez. A declaração foi feita durante um encontro internacional na Flórida e marca uma mudança significativa na política externa americana em relação ao país sul-americano, especialmente após a operação militar realizada em janeiro que levou à queda de Nicolás Maduro.
Trump confirma reconhecimento do governo de Delcy Rodríguez
O anúncio ocorreu durante a Cúpula Escudo das Américas, realizada em Doral, no estado da Flórida. Durante o evento, Trump afirmou que Washington já trabalha em cooperação direta com a nova liderança venezuelana.
Segundo o presidente americano, o relacionamento entre os dois países tem avançado rapidamente. Ele afirmou que Delcy Rodríguez tem conduzido as negociações com os Estados Unidos e destacou a colaboração entre as duas administrações.
Trump também mencionou a assinatura de um acordo econômico envolvendo recursos minerais da Venezuela. O acordo abre caminho para a comercialização de ouro e outros minérios venezuelanos no mercado americano. O presidente classificou a negociação como um marco histórico nas relações bilaterais.
Petróleo e ouro impulsionam nova relação diplomática
A decisão dos Estados Unidos acontece poucos dias após o Departamento de Estado anunciar o restabelecimento das relações diplomáticas com a Venezuela, encerrando um período de sete anos sem vínculos oficiais entre os dois governos.
A retomada do diálogo ocorreu após uma visita de dois dias do secretário do Interior dos Estados Unidos, Doug Burgum, à capital venezuelana, Caracas. A viagem foi interpretada como parte das negociações que abriram caminho para a nova parceria entre os países.
Outro passo relevante foi dado pelo Departamento do Tesouro americano, que autorizou empresas dos Estados Unidos a realizar transações envolvendo ouro venezuelano. As operações deverão ocorrer por meio da estatal mineradora Minerven.
Apesar da autorização para negócios com a Venezuela, o governo americano manteve restrições para empresas de países como Rússia, Irã, Coreia do Norte e Cuba, que continuam proibidas de participar dessas transações comerciais. No setor energético, Washington também adotou medidas para flexibilizar sanções relacionadas ao petróleo venezuelano. Empresas americanas passaram a ter autorização para comprar, transportar, vender e refinar petróleo bruto proveniente da Venezuela.
Oposição venezuelana fica fora das negociações
O reconhecimento do governo de Delcy Rodríguez representa uma mudança significativa na postura dos Estados Unidos em relação à oposição venezuelana. Após a operação militar realizada no início de janeiro que resultou na captura de Nicolás Maduro, Trump descartou a possibilidade de a líder opositora María Corina Machado assumir o comando do país.
Na ocasião, o presidente americano afirmou que Machado não teria apoio suficiente dentro da Venezuela para liderar um novo governo. A decisão marcou um afastamento da estratégia anterior, que priorizava setores da oposição.
Machado, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2025, contestou a decisão e declarou que Delcy Rodríguez não representa a população venezuelana. Segundo ela, a atual líder interina mantém vínculos com interesses internacionais ligados à Rússia, China e Irã.
Mudança de postura de Delcy Rodríguez
Delcy Rodríguez ocupava o cargo de vice-presidente durante o governo de Nicolás Maduro. No momento da operação militar conduzida pelos Estados Unidos, ela chegou a classificar a ação como uma invasão e reiterou que Maduro seria o único presidente legítimo do país.
Entretanto, após a queda do antigo governo, Rodríguez passou a negociar diretamente com Washington. O novo governo venezuelano iniciou discussões relacionadas a reformas no setor energético e mineral. Entre as medidas anunciadas está a reformulação da legislação venezuelana sobre hidrocarbonetos, que ocorreu no início do ano e tem como objetivo ampliar a exploração de petróleo e gás no país.
Cúpula reúne líderes das Américas
A Cúpula Escudo das Américas reuniu representantes de diversos países do continente, incluindo Argentina, El Salvador, República Dominicana, Guiana, Costa Rica e Bolívia. O encontro também contou com a participação do presidente eleito do Chile.
De acordo com o Departamento de Estado dos Estados Unidos, o evento tem como objetivo fortalecer uma coalizão regional voltada para temas como segurança, prosperidade econômica e cooperação política no hemisfério. Durante o encontro, Trump também mencionou a situação de Cuba e afirmou que o país atravessa um momento crítico em sua história recente, sugerindo que novas medidas podem ser adotadas em relação ao governo cubano.

