O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (22) a criação do Conselho da Paz, uma nova estrutura do governo norte-americano voltada à manutenção da estabilidade internacional e à reconstrução da Faixa de Gaza. O Conselho da Paz foi apresentado como uma iniciativa com alcance amplo, que pode atuar em diferentes crises globais e assumir funções hoje desempenhadas por organismos multilaterais.
Conselho da Paz e o objetivo inicial no Oriente Médio
Segundo informações divulgadas pela Casa Branca, o Conselho da Paz nasce com foco imediato no conflito envolvendo a Faixa de Gaza, priorizando ações de reconstrução e iniciativas diplomáticas para reduzir tensões na região. De acordo com Trump, a proposta é criar um mecanismo mais ágil e direto para lidar com conflitos armados e situações de instabilidade prolongada.
O presidente norte-americano destacou que o Conselho da Paz não ficará restrito ao Oriente Médio. A intenção do governo dos Estados Unidos é utilizar a nova estrutura como uma ferramenta permanente de mediação e intervenção diplomática em crises internacionais futuras, conforme a avaliação do governo norte-americano.
Críticas à ONU e proposta de substituição
Em declarações recentes à imprensa, Trump voltou a criticar o papel da Organização das Nações Unidas. Na avaliação do presidente, a ONU tem se mostrado ineficaz na prevenção e resolução de conflitos internacionais. Diante disso, o Conselho da Paz poderia, segundo ele, assumir funções semelhantes às da entidade internacional, oferecendo uma alternativa à atual governança global.
As declarações reforçam a visão do governo dos EUA de que novos modelos de cooperação internacional são necessários. Trump afirmou que a estrutura proposta será mais eficiente e menos burocrática do que os organismos multilaterais existentes.
Estrutura e liderança do Conselho da Paz
Donald Trump ocupará o cargo de presidente do Conselho da Paz por tempo indeterminado. Conforme as regras divulgadas, ele poderá permanecer à frente do órgão mesmo após o término de seu segundo mandato presidencial. A substituição do presidente do conselho só poderá ocorrer em caso de renúncia voluntária ou incapacidade, mediante aprovação unânime do Conselho Executivo.
O governo dos Estados Unidos já definiu os primeiros membros do Conselho Executivo fundador. Entre os nomes anunciados estão o secretário de Estado, Marco Rubio, o enviado especial de Trump, Steve Witkoff, o ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, e Jared Kushner, genro do presidente e ex-assessor da Casa Branca.
A presença de lideranças políticas e diplomáticas de diferentes países faz parte da estratégia do governo norte-americano para conferir legitimidade internacional à iniciativa e ampliar sua capacidade de articulação.
Países convidados e adesões iniciais
Até o momento, 50 países e a União Europeia receberam convite formal para integrar o Conselho da Paz. O Brasil está entre os países convidados, mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não se manifestou oficialmente sobre a participação brasileira.
Segundo informações divulgadas por veículos como CNN, CNN Brasil e Reuters, alguns países já confirmaram adesão à iniciativa. Entre eles estão Arábia Saudita, Argentina, Armênia, Azerbaijão, Bahrein, Belarus, Catar, Cazaquistão, Egito, Emirados Árabes Unidos, Hungria, Indonésia, Israel, Jordânia, Kosovo, Kuwait, Marrocos, Paraguai, Paquistão, Turquia, Uzbequistão e Vietnã.
Declarações em Davos e a questão da Groenlândia
Durante participação no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Trump também abordou temas estratégicos relacionados à política externa dos Estados Unidos. O presidente voltou a mencionar o interesse norte-americano na Groenlândia, ressaltando que qualquer iniciativa envolvendo o território será conduzida de forma pacífica, sem uso da força.
Trump cobrou uma postura mais ativa da Europa e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na defesa da ilha. No entanto, afirmou que apenas os Estados Unidos teriam capacidade plena para garantir a segurança do território, reforçando o papel estratégico do país na região.

