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Leia: Tarifas dos EUA preocupam a indústria que teme 618 mil demissões nos próximos meses
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7 de março de 2026 03:30

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OpiniãoMT > Blog > Economia > Tarifas dos EUA preocupam a indústria que teme 618 mil demissões nos próximos meses
Economia

Tarifas dos EUA preocupam a indústria que teme 618 mil demissões nos próximos meses

Taxas impostas pelos EUA podem afetar manutenção de empregos e provocar perdas bilionárias na economia brasileira, aponta levantamento da Fiemg.

última atualização: 15 de agosto de 2025 09:04
Redação OPMT
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4 Minutos de Leitura
Tarifas dos EUA preocupam a indústria que teme 618 mil demissões nos próximos meses
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Um estudo da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) revela que as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros colocam em risco a manutenção de empregos no país. A projeção indica que mais de 618 mil postos de trabalho podem ser comprometidos nos próximos dez anos, afetando diretamente a economia e a renda das famílias.

Impactos econômicos das tarifas sobre os empregos no Brasil

As medidas adotadas pelo governo norte-americano estabeleceram uma tarifa de 50% sobre a importação de diversos produtos do Brasil, como máquinas e equipamentos, café, carne, madeira, armas e calçados. Alguns itens, como petróleo, aviões e suco de laranja, ficaram de fora da cobrança.

Em 2024, o Brasil exportou US$ 40,4 bilhões aos Estados Unidos, o que representa 12% do total das vendas externas. Dos produtos que serão taxados, o valor estimado chega a US$ 22,2 bilhões, correspondendo a 54,9% do que é comercializado com o mercado norte-americano.

Segundo a Fiemg, no curto prazo — entre um e dois anos — o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro pode ter retração de 0,22%, equivalente a R$ 25,8 bilhões. Já no longo prazo, de cinco a dez anos, a queda pode chegar a 0,94%, ou R$ 110 bilhões. Esses números refletem um impacto direto sobre a manutenção de empregos, com previsão de perda de mais de 146 mil postos de trabalho no curto prazo e ultrapassando 618 mil no período mais longo.

Entre os setores mais prejudicados, destacam-se:

– Siderurgia e aço sem costura: queda de 8,11% no faturamento e 8,08% no número de empregos.

– Produtos de madeira: redução de 7,12% no faturamento e 6,69% nos empregos.

– Fabricação de calçados e artefatos de couro: diminuição de 3,07% no faturamento e 2,44% nos postos de trabalho.

Empresas já adotam medidas de adaptação

Algumas companhias começaram a tomar decisões estratégicas para enfrentar os efeitos das tarifas. A Taurus, fabricante de armas e munições em São Leopoldo (RS), transferiu sua principal linha de montagem para os Estados Unidos. Já a Randa, produtora de itens de madeira em Bituruna (PR), reduziu metade da produção e concedeu férias coletivas aos funcionários, afetando diretamente a economia local.

Em resposta à situação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, em 13 de agosto, um pacote de apoio às empresas impactadas. Entre as medidas está a criação de uma linha de crédito de R$ 30 bilhões para financiar companhias afetadas e incentivar a busca por novos mercados, diminuindo a dependência das exportações para os EUA.

Especialistas defendem que, além do auxílio financeiro, é fundamental intensificar as negociações com o governo norte-americano para reduzir as tarifas. Segundo o economista-chefe da Fiemg, João Gabriel Pio, empresas que destinam quase toda sua produção ao mercado dos Estados Unidos podem não ter alternativas viáveis sem mudanças nas taxas.

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