O sindicato de irmão de Lula, o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical (Sindnapi), está no centro de uma investigação da Polícia Federal por suspeita de participação em um esquema bilionário de descontos irregulares em aposentadorias do INSS. A entidade, que tem Frei Chico como vice-presidente, viu seu faturamento disparar em três anos, levantando suspeitas de irregularidades.
Investigação revela crescimento expressivo de filiações e faturamento
Segundo auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), o Sindnapi, presidido por Milton Cavalo e tendo o irmão do presidente Lula na vice-presidência, registrou um crescimento anormal em seu quadro de filiados entre 2021 e 2023. O número de associados saltou de 170 mil para 420 mil, enquanto o faturamento avançou de R$ 41 milhões para R$ 149 milhões. A entidade, no entanto, contesta os valores apresentados pelo TCU.
O sindicato de irmão de Lula mantém, há mais de uma década, um acordo com o INSS que permite o desconto da mensalidade diretamente dos benefícios. Essa prática, que se manteve estável por anos, disparou justamente no período investigado, o que chamou a atenção dos órgãos de controle.
A Controladoria-Geral da União (CGU) também participou da análise e detectou que, em uma amostragem de 26 filiados, 20 afirmaram não ter autorizado a associação ao Sindnapi, apesar dos descontos em suas aposentadorias. Em contrapartida, o sindicato conseguiu comprovar a filiação regular de dois associados durante a auditoria.
Outro ponto levantado é a possível prática de venda casada. Dentro da sede do sindicato, funciona uma cooperativa financeira que oferece crédito consignado. De acordo com o TCU, muitos novos contratos de empréstimo foram seguidos por associações ao sindicato, indicando possível indução de aposentados ao se filiarem em troca de acesso ao crédito.
Disputa política dentro do Sindnapi
O comando do sindicato de irmão de Lula também é palco de um racha político. O Sindnapi, tradicionalmente ligado ao Solidariedade, hoje é liderado por Milton Cavalo, filiado ao PDT e aliado do ministro da Previdência Social, Carlos Lupi. A mudança de liderança provocou atritos com o deputado Paulinho da Força, fundador do sindicato, que tentou sem sucesso anular a eleição de Cavalo na Justiça.
Frei Chico, irmão de Lula, que atua no sindicato desde 2008, foi elevado à vice-presidência em 2024, após o crescimento expressivo de associados e receitas. Paulinho da Força, por sua vez, criticou publicamente o escândalo, afirmando que o esquema de descontos ocorreu “debaixo do nariz” do presidente e classificando o episódio como “o maior roubo ao trabalhador da história do país”.
Defesas e alegações do sindicato de irmão de Lula
Milton Cavalo, atual presidente do Sindnapi, afirmou que a entidade possui mais de 80 postos de atendimento e que nenhum de seus dirigentes foi alvo de buscas na operação da Polícia Federal. Segundo ele, o sindicato de irmão de Lula conseguiu comprovar, em diversas ações judiciais, que as filiações ocorreram de forma voluntária.
O presidente ainda alegou que a abordagem da CGU teria intimidado os aposentados, levando muitos a negarem a associação. Sobre as denúncias de venda casada envolvendo crédito consignado, Cavalo ressaltou que a prática de oferecer filiação durante processos de empréstimo é legal, sendo formalizada com assinatura de documentos, gravações de áudio e reconhecimento facial.
Além disso, o Sindnapi refuta o valor apontado pelo TCU sobre o crescimento do faturamento e atribui o aumento à pandemia, período no qual muitos aposentados buscaram maior segurança através de benefícios oferecidos pela entidade, como descontos em medicamentos e serviços médicos.

