*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) determinou a suspensão cautelar da autorização de funcionamento do Santuário de Elefantes Brasil (SEB), localizado em Chapada dos Guimarães. Com a decisão, a instituição está temporariamente proibida de receber novos animais até que apresente documentos que comprovem o cumprimento rigoroso dos protocolos de biossegurança e de manejo.
O MOTIVO DA SUSPENSÃO
A medida drástica da Sema ocorre após o registro da morte de duas elefantas africanas, Kenya e Pupy, em um intervalo de menos de três meses. A morte de Kenya, ocorrida no último dia 16 de dezembro, acendeu o alerta das autoridades ambientais. Ela havia sido transferida de um antigo zoológico em Mendoza, na Argentina, em julho de 2025, e apresentava quadros de problemas respiratórios e dores articulares.
Já a elefanta Pupy morreu em outubro deste ano. Vinda também da Argentina, ela sofria de desconforto gastrointestinal e chegou a expelir cerca de 1,5 kg de pedras antes de vir a óbito.
A Sema estabeleceu um prazo de 60 dias para que a Associação Santuário de Elefantes Brasil apresente as informações e documentos solicitados. A suspensão deve durar até a devida elucidação dos fatos e análise dos padrões éticos de manejo animal.
FISCALIZAÇÃO AMPLIADA E INVESTIGAÇÃO DO IBAMA
O cenário de mortes no santuário tem gerado preocupação em nível federal. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) também apura as circunstâncias das mortes, estendendo a investigação para o histórico recente da instituição, que contabiliza a perda de quatro elefantes em menos de um ano após o processo de transferência para Mato Grosso.
O OUTRO LADO: O QUE DIZ O SANTUÁRIO
Em nota publicada nas redes sociais, o Santuário de Elefantes Brasil defendeu seu trabalho, ressaltando que recebe animais que passaram décadas em cativeiro e, por isso, chegam com diversas comorbidades e estados de saúde frágeis. A instituição garantiu que as mortes de Kenya e Pupy não possuem relação direta entre si e que ambas receberam cuidados veterinários de alto nível.
“Sabemos que muitos de vocês apoiam o santuário, compreendem o impacto devastador do cativeiro e reconhecem que as elefantas recebem um nível de cuidado veterinário que não é oferecido em nenhum outro lugar da América do Sul”, afirmou a instituição.
O Santuário também lamentou o que chamou de “campanhas de propaganda contra a instituição” por parte de opositores que usam as perdas para atacar o modelo de santuários. A entidade reiterou que atua com transparência e que está colaborando com a entrega de todos os documentos exigidos pelos órgãos competentes.
NOTA OFICIAL DA SEMA
Em esclarecimento, a Sema reforçou que o empreendimento possui licença vigente, mas que a suspensão cautelar foi necessária “até a obtenção e análise das informações acerca do cumprimento dos protocolos de biossegurança”.
A notificação oficial foi expedida no dia 23 de dezembro, e o monitoramento da área segue intensificado.

