Uma mulher suspeita de envolvimento em uma série de envenenamentos é alvo de investigações policiais em dois estados brasileiros. A estudante de Direito Ana Paula Veloso Fernandes, de 35 anos, é acusada de causar a morte de ao menos quatro pessoas — duas em Guarulhos, na Grande São Paulo, e duas em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. De acordo com as investigações, ela também teria testado o efeito do veneno em dez cachorros, usando chumbinho.
A defesa de Ana Paula e de sua irmã gêmea, Roberta Cristina Veloso Fernandes, afirmou em nota ao jornal Estadão que pretende colaborar com as autoridades e garantir o respeito aos direitos das investigadas durante o andamento das apurações.
Histórico da mulher suspeita e a mudança de cidade
Segundo informações da polícia, Ana Paula estudava Direito em uma instituição particular de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, até janeiro deste ano. No início de 2025, ela teria solicitado transferência para uma faculdade em Guarulhos, onde passou a residir com a irmã gêmea.
De acordo com o delegado Halisson Ideiao Leite, do 1º Distrito Policial de Guarulhos, as duas irmãs alugaram uma casa nos fundos do imóvel de Marcelo Hari Fonseca, que acabou encontrado morto no dia 31 de janeiro. O corpo foi localizado após as próprias irmãs chamarem a Polícia Militar para atender a ocorrência.
Ainda conforme o delegado Leite, a mulher suspeita manteve um relacionamento amoroso com um policial militar, que terminou ao descobrir-se que ele era casado. Após o rompimento, Ana Paula teria tentado incriminá-lo pela morte de Maria Aparecida Rodrigues, uma mulher que conheceu por meio de um aplicativo de relacionamentos. Maria Aparecida foi encontrada morta em 11 de abril, também em Guarulhos.
Em outro episódio, a estudante teria enviado um bolo envenenado a colegas de faculdade acompanhado de um bilhete, numa tentativa de colocar a culpa pela ação na esposa do policial militar. Ela própria acionou a Polícia Militar após o envio do alimento, tentando reforçar a falsa acusação.
Comportamento levantou suspeitas da polícia
De acordo com o depoimento do delegado, a mulher suspeita passou a frequentar a delegacia com grande regularidade, pedindo atualizações sobre o andamento das investigações. Esse comportamento acabou chamando a atenção dos investigadores, que começaram a considerar a possibilidade de ela estar envolvida diretamente nas mortes.
A polícia agora trabalha para reunir provas técnicas e testemunhais que confirmem o uso de veneno nos casos. Também estão sendo analisadas as substâncias encontradas na residência onde Ana Paula vivia com a irmã.
A Justiça deve avaliar, nos próximos dias, novos pedidos de diligências para aprofundar o caso e esclarecer se as mortes foram premeditadas. Enquanto isso, a defesa reforça que ela segue à disposição das autoridades e que confia na elucidação completa dos fatos.

