A imposição de uma tarifa de 500% sobre produtos importados por países que mantêm relações comerciais com a Rússia está prevista em um projeto de lei que tramita no Senado dos Estados Unidos. Caso aprovado, o Brasil, um dos principais compradores de diesel e fertilizantes russos, poderá ser diretamente afetado pela medida.
Tarifa de 500% mira aliados comerciais da Rússia
O projeto de lei, intitulado “Sanções à Rússia de 2025”, propõe a criação de barreiras comerciais severas como forma de pressionar o governo russo a encerrar o conflito com a Ucrânia. A principal medida seria a imposição de uma tarifa de 500% sobre bens e serviços vindos de países que continuem comprando, vendendo, transferindo ou comercializando produtos russos como petróleo, gás natural, urânio, derivados de petróleo ou petroquímicos.
A proposta tem apoio bipartidário no Congresso norte-americano, contando com ao menos 82 copatrocinadores entre republicanos e democratas. O relator do texto é o senador Lindsey Graham, da Carolina do Sul, um dos principais defensores de sanções mais duras contra o governo de Vladimir Putin.
Brasil é um dos principais parceiros comerciais da Rússia
Segundo dados da Federação Única dos Petroleiros (FUP), o Brasil foi o segundo maior importador de diesel russo em 2024, totalizando mais de R$ 38 bilhões em compras. Além disso, aproximadamente 30% dos fertilizantes utilizados atualmente na agricultura brasileira são oriundos da Rússia, conforme o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Essa forte dependência de produtos russos coloca o Brasil entre os países que podem ser alvos diretos da tarifa de 500%, caso o projeto seja sancionado. O aumento significativo nos custos de exportação pode afetar especialmente o setor industrial e agrícola brasileiro, que depende do mercado norte-americano.
De acordo com o texto obtido pela imprensa norte-americana, após a aprovação no Congresso, o presidente dos Estados Unidos teria um prazo de 15 dias para sancionar a medida. Em seguida, a tarifa de 500% entraria em vigor após um período adicional de 90 dias.
O projeto ainda prevê que o novo tributo poderá ser somado a outras tarifas já em vigor. No caso do Brasil, os produtos exportados para os Estados Unidos já estarão sujeitos, a partir de 6 de agosto, a uma taxa adicional de 50%. Com isso, a tarifa total pode chegar a 550% para algumas mercadorias.
Pressão por acordo de paz e isolamento econômico
A justificativa central do projeto de sanções é forçar a Rússia a negociar um cessar-fogo com a Ucrânia. Ao impor custos elevados a países que mantêm relações comerciais com Moscou, o objetivo é limitar o alcance econômico russo e seu poder de financiamento militar.
O texto da proposta afirma que “o presidente deverá, não obstante qualquer outra disposição legal, aumentar a alíquota tarifária para todos os bens ou serviços importados a partir de qualquer país que compre ou comercialize os itens russos citados”. A medida é vista como uma escalada nas tentativas dos EUA de isolar a economia russa do mercado global.

