Uma megaoperação deflagrada nesta quinta-feira (28) em oito estados brasileiros expôs um sofisticado esquema do PCC que movimentava bilhões no setor de combustíveis, açúcar e álcool. A investigação aponta a atuação da facção criminosa em toda a cadeia produtiva, desde usinas até postos de combustíveis e lojas de conveniência.
Como funcionava o esquema do PCC
As autoridades identificaram que o grupo comandado por Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo” ou “João”, e por Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, estruturou um modelo de negócios criminoso que incluía fraudes fiscais, adulteração de combustíveis e lavagem de capitais.
Mohamad é apontado como o principal líder. Segundo as investigações, ele utilizava empresas do setor para disfarçar a origem ilícita dos recursos, ocultar patrimônio e gerar créditos tributários irregulares. Entre as companhias sob seu controle estavam a Copape e a distribuidora Aster, usadas para inflar preços e manipular transações.
Já Roberto, o “Beto Louco”, cuidava da parte operacional, coordenando atividades de falsificação documental, fraudes fiscais e movimentação de capitais ilícitos.
Operação Carbono Oculto
Batizada de Carbono Oculto, a operação mobilizou cerca de 1.400 agentes nos estados de São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina. O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e a Receita Federal estimam que a organização tenha sonegado aproximadamente R$ 7,6 bilhões.
Postos adulterados e fundos de investimento
As investigações revelaram mais de 300 postos envolvidos na adulteração de combustíveis, mas o impacto pode atingir até 2.500 estabelecimentos em São Paulo, o equivalente a 30% do total no estado.
Além disso, foram identificados ao menos 40 fundos de investimento controlados por integrantes da facção, somando R$ 30 bilhões. Os recursos eram usados para ocultar bens, disfarçar transações e garantir a expansão do grupo no mercado.
Crimes investigados
Mais de 350 pessoas físicas e jurídicas são investigadas por crimes que vão desde fraudes fiscais e adulteração de combustíveis até estelionato, crimes ambientais e lavagem de dinheiro. Parte dos valores obtidos foi utilizada na compra de usinas e distribuidoras, ampliando a rede controlada pelo grupo criminoso. Empresários chegaram a ser coagidos a vender seus negócios por preços abaixo do mercado, sob ameaça de violência.
A operação contou com a participação conjunta do MP-SP, Receita Federal, Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar, Agência Nacional do Petróleo (ANP) e Procuradoria-Geral do Estado. Ministérios Públicos de outros estados também colaboraram no cumprimento dos mandados.
A operação Carbono Oculto representa um dos maiores golpes contra o esquema do PCC no setor de combustíveis. O levantamento bilionário, a infiltração no mercado financeiro e a presença em toda a cadeia produtiva reforçam a complexidade das atividades da facção. As investigações seguem em andamento para responsabilizar os envolvidos e desarticular de forma definitiva a estrutura criminosa.

