O general da reserva Walter Braga Netto, figura de destaque nas Forças Armadas brasileiras, encontra-se sob prisão preventiva no quartel-general (QG) da Primeira Divisão de Exército, localizado na Vila Militar, no Rio de Janeiro. A ordem de prisão foi emitida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e envolve suspeitas de participação em um suposto plano para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A prisão preventiva de Walter Braga Netto
O general está preso desde o último sábado, 14 de dezembro, após parecer favorável da Procuradoria-Geral da República, acatado pelo ministro Alexandre de Moraes. Segundo a Polícia Federal, as acusações contra o general incluem tentativa de obstrução de investigações judiciais e envolvimento em um plano contra a posse presidencial. A decisão segue o protocolo de rigor judicial em casos que envolvem possíveis ameaças à democracia e à estabilidade institucional.
Braga Netto encontra-se detido em um alojamento adaptado no QG da Primeira Divisão de Exército. O espaço inclui banheiro exclusivo e permite condições dignas, com quatro refeições diárias, semelhantes às servidas aos demais militares da unidade. O general tem direito a sair do alojamento uma vez por dia para banho de sol, mantendo o mínimo de rotina durante sua detenção.
As visitas ao general são restritas aos advogados, conforme determinação judicial. Na última quarta-feira, 18, ele recebeu a visita de José Luís Oliveira Lima, que conduz sua defesa. Antes da detenção, Braga Netto passou por um exame médico e participou de uma audiência de custódia por videoconferência, onde sua prisão foi mantida.
O local onde Braga Netto está detido possui grande importância histórica. Foi deste QG que partiram os combatentes da Força Expedicionária Brasileira na Segunda Guerra Mundial, sob a liderança do general Mascarenhas de Morais. O quartel mantém viva a memória das contribuições das Forças Armadas brasileiras em conflitos internacionais e simboliza um marco na história militar do país.
A Vila Militar do Rio de Janeiro, que abriga o QG, é a maior guarnição militar do Brasil e sedia instituições de destaque, como a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais e a Brigada Paraquedista. A região também tem ligação histórica com o ex-presidente Jair Bolsonaro, que residiu na área e frequentou instituições locais, como a Escola Municipal Rosa da Fonseca.
Carreira e influência militar
Walter Braga Netto já foi comandante do Comando Militar do Leste entre 2016 e 2019, cargo que atualmente pertence ao general Kleber Vasconcellos. O QG da Primeira Divisão do Exército já teve outros comandantes de destaque, como o general Luiz Eduardo Ramos, que liderou a unidade entre 2014 e 2016, antes de ocupar um cargo ministerial no governo Bolsonaro.
A trajetória de Braga Netto é marcada por cargos de alta relevância no Exército Brasileiro, o que torna o caso em questão ainda mais significativo, dada a sua influência e representatividade dentro das Forças Armadas.