*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), desembargador José Zuquim Nogueira, cobrou uma investigação minuciosa após um incidente inusitado na sede do órgão. Um malote contendo R$ 10 mil foi entregue por um motorista de aplicativo, e a encomenda constava que o próprio desembargador seria o autor da remessa. O caso, revelado por Zuquim em comunicado na última quarta-feira, dia 13 de agosto, causou surpresa e indignação.
O desembargador classificou o episódio como “estarrecedor” e exigiu que a verdade dos fatos seja apurada.
“Lá estava o meu nome e a minha foto, como se eu fosse autor da remessa desse dinheiro, que seria entregue aqui no TJ. Isso me surpreendeu muito, me deixou estarrecido”, declarou Zuquim.
Ele reforçou sua confiança nas instituições e nas investigações, que, segundo ele, “certamente trarão à lume aquilo que realmente aconteceu e o porquê aconteceu”.
ENTENDA O QUE ACONTECEU
Na tarde da última terça-feira, dia 12 de agosto, um motorista de aplicativo foi contratado para entregar um pacote na sede do TJMT. De acordo com o relato do presidente, o motorista foi instruído a ficar nas proximidades da guarita, à espera de uma pessoa não identificada que “procuraria o pacote”. Como ninguém apareceu, o entregador, seguindo a orientação de seu contratante, procurou os policiais que fazem a guarda do local.
Durante a checagem do pacote, a polícia constatou que se tratava de dinheiro e, o nome e a foto de José Zuquim Nogueira constavam como remetente. O desembargador, que estava no tribunal, foi acionado. O motorista, em conversa com ele, relatou ter recebido a encomenda de um homem em um carro, no estacionamento do fórum.
As câmeras de videomonitoramento foram analisadas e identificaram que o contratante do serviço era um policial. Ele foi identificado como o Segundo Sargento da PM, Eduardo Soares de Moraes. Ele atua na ROTAM, Batalhão das Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas.

