*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, deputado Max Russi (PSB), teceu duras críticas à vereadora Maysa Leão (Republicanos) durante a sessão na ALMT na última quarta-feira, dia 27 de agosto, em um caso que gerou grande repercussão.
A polêmica começou após a vereadora ter exposto o depoimento de uma adolescente vítima de abuso sexual durante uma audiência pública, levantando um intenso debate sobre a ética na exposição de vítimas vulneráveis.
Max Russi lamentou o ocorrido, classificando a exposição da jovem como um “segundo abuso”. Para ele, a forma como a situação foi conduzida levanta preocupações sobre os métodos usados por parlamentares para atrair atenção para pautas importantes.
“A exposição de uma menina que, infelizmente, foi violentamente abusada e sofre um segundo abuso ao ter sua imagem explorada. Isso serve de alerta para nós parlamentares, sobre quais serão os meios e as formas que a gente vai usar para impactar uma audiência. Chamar a atenção para um debate. Essa exposição nos preocupa”, declarou o presidente.
VEREADORA SE DEFENDE E ALEGA ATAQUE POLÍTICO
A vereadora Maysa Leão emitiu uma nota oficial após a repercussão do caso.
No comunicado, ela reafirmou seu compromisso com a proteção de vítimas de violência e afirmou que a jovem se inscreveu para falar de forma espontânea. Segundo Maysa, a equipe da vereadora tomou todas as precauções necessárias, incluindo a verificação da idade da adolescente, a obtenção de autorização de um responsável legal e o acompanhamento de uma psicóloga.
Maysa defendeu a atitude argumentando que a fala da jovem em um ambiente seguro, com o apoio técnico e de autoridades, reforça o direito de adolescentes vítimas de violência de serem ouvidos, conforme previsto na Lei nº 13.431/2017 e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Ela negou ter induzido o depoimento da vítima e disse que, após o evento, solicitou a retirada do vídeo do YouTube para proteger a imagem e a segurança da adolescente.
A vereadora encerrou a nota criticando a repercussão negativa, que, em sua visão, se tornou um “ataque político” e um “desrespeito à dor de uma jovem que teve coragem de falar em um espaço democrático”.

