*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta quarta-feira, dia 10 de setembro, a segunda fase da Operação Poço Sem Fundo, visando desarticular um grupo criminoso que operava na Companhia Mato-grossense de Mineração (Metamat).
A ação é resultado de uma investigação que descobriu um esquema de fraude em contratos de perfuração de poços artesianos, causando um prejuízo bilionário aos cofres públicos.
A investigação, coordenada pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (DECCOR) a partir de uma denúncia do Governo do Estado, identificou que poços artesianos, que deveriam atender comunidades rurais, foram construídos em propriedades particulares, como áreas de pastagens, plantações, garimpos e até mesmo em uma granja. Auditorias da Controladoria Geral do Estado (CGE) revelaram um rombo de mais de R$ 22 milhões em desvios entre os anos de 2021 e 2023.
Nesta segunda fase, as autoridades cumpriram 13 mandados judiciais, que incluem um de busca e apreensão, um de medidas cautelares diversas da prisão, e um de bloqueio bancário no valor exato do prejuízo apurado, R$ 22 milhões. Além disso, foram determinados o sequestro de oito imóveis e dois veículos, indicando que os alvos da operação estariam se beneficiando financeiramente com o esquema.
Os investigados são acusados de uma série de crimes, como peculato, fraude a contratos administrativos, falsidade ideológica majorada, contratação direta ilegal, associação criminosa e lavagem de dinheiro. As medidas cautelares impostas incluem a proibição de acesso às dependências da Metamat, de contato com outros investigados, a entrega de passaporte e o comparecimento mensal em juízo.
Esta nova etapa da operação é um desdobramento das informações obtidas na primeira fase, deflagrada em 8 de maio deste ano. Na ocasião, foram cumpridas 226 ordens judiciais contra seis empresas e 24 pessoas, incluindo 16 servidores e ex-servidores, além de oito empresários. Naquele momento, o Estado já havia suspendido pagamentos e proibido as empresas investigadas de contratar com o Poder Público, além de afastar servidores da Metamat de suas funções.

