*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A tragédia no CPA I, em Cuiabá, que vitimou o casal Giovani Vinicius Curvo e Priscilla Furoni após uma descontrolada briga de trânsito teve um novo desdobramento. O delegado Christian Alessandro, responsável pelo caso, confirmou que filho e pai que perseguiam as vítimas foram indiciados pelo crime de omissão de socorro.
Segundo o delegado, a investigação aponta para uma conduta de total indiferença por parte dos ocupantes do Prisma após o grave acidente que tirou a vida de duas pessoas.
“Eles demonstraram indiferença e ausência de arrependimento, não procurando a polícia nem a família das vítimas mesmo após tomarem conhecimento do acidente pela imprensa,” declarou o delegado Christian Alessandro.
O indiciamento por omissão de socorro é reforçado por provas concretas. Câmeras de segurança registraram o momento em que o veículo Prisma passa lentamente pelo local do acidente poucos segundos depois da colisão, indicando que pai e filho tinham total ciência da gravidade da situação.
Além da omissão de socorro, o condutor do Prisma também poderá ser responsabilizado pelo crime de direção perigosa, dado o envolvimento direto na perseguição que levou ao desfecho trágico.
RELEMBRE O CASO
O acidente que tirou a vida do casal, no dia 24 de outubro, foi classificado pela Polícia Civil como resultado de uma escalada de violência no trânsito.
A confusão teve início na Avenida Thomé de Arruda Fortes, quando o motorista do Prisma fechou o Renault Sandero do casal. A partir de uma buzina de Giovani e um gesto obsceno do condutor do Prisma, os fatos saíram do controle.
O delegado Christian Alessandro narrou o começo da briga: “O condutor do Sandero [Giovani] passou a buzinar insistentemente, e o do Prisma abriu o vidro e o motorista fez um gesto obsceno com a mão. A partir daí os fatos saíram do controle.”
Giovani, ao tentar ultrapassar, raspou no Prisma e fugiu. A perseguição se tornou fatal quando, após a esposa do condutor do Prisma descer do carro para tentar intervir, o Sandero fugiu pela contramão. O motorista do Prisma, alegando querer “cobrar os prejuízos, avaliados em cerca de R$ 500”, deu continuidade à caçada.
O fim trágico ocorreu no CPA I: o Sandero, em alta velocidade, furou a preferencial no cruzamento da Avenida Joinville e foi atingido por uma Mercedes. O impacto violento fez o Sandero capotar e colidir contra um poste, matando Giovani e Priscilla no local.
O delegado lamentou a fatalidade, mas foi categórico em afirmar que o comportamento dos ocupantes do Prisma foi reprovável e resultará em responsabilização criminal:
“As circunstâncias mostram que o Sandero trafegava em alta velocidade e desrespeitou a sinalização. Mas o comportamento dos ocupantes do Prisma também foi reprovável.”
O crime de omissão de socorro contra pai e filho agora segue para a Justiça.
VEJA VIDEO DA ENTREVISTA DO DELEGADO FALANDO SOBRE O CASO

