*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A Polícia Civil identificou Ederson Xavier de Lima, de 43 anos, conhecido como “Boré”, como o principal líder do esquema milionário de jogos de azar desarticulado pela Operação Raspadinha do Crime. A ação, deflagrada nesta terça-feira, dia 14 de outubro, busca desmantelar uma complexa rede criminosa que, em apenas seis meses, movimentou mais de R$ 3 milhões utilizando um falso empreendimento de raspadinhas instantâneas para financiar uma facção criminosa em Mato Grosso.
O jogo ilegal era, na verdade, uma sofisticada fachada para lavagem de dinheiro e uma nova fonte de arrecadação paralela ao tráfico e à extorsão, conforme revelaram as investigações da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco).
MEGA OPERAÇÃO EM 20 CIDADES E BLOQUEIO DE 1,1 MILHÃO
A Operação Raspadinha do Crime resultou no cumprimento de 111 ordens judiciais em mais de 20 cidades do estado. Foram expedidos 21 mandados de prisão preventiva e 54 de busca e apreensão.
O esforço policial se concentrou em cortar o fluxo financeiro da facção, com a determinação judicial de 11 ordens de bloqueio e 25 ordens de quebra de sigilo bancário e telemático, além do sequestro de valores que ultrapassam R$ 1,1 milhão.
Os mandados foram cumpridos em municípios como Cuiabá, Várzea Grande, Alta Floresta, Rondonópolis, Sinop, Tangará da Serra e Lucas do Rio Verde, demonstrando a vasta capilaridade da organização criminosa. Durante a ação, centenas de bilhetes e banners de propaganda das raspadinhas ilegais foram apreendidos e descartados.
ESTRUTURA EMPRESARIAL PARA O CRIME
As investigações revelaram que o esquema de “Raspadinha do Crime” não era amador. Sob a liderança de “Boré“, a estrutura seguia um planejamento empresarial, com hierarquia e funções bem definidas, tudo para mascarar a origem ilícita do dinheiro e garantir o anonimato da facção:
Núcleo Estratégico: Sediado na Capital, era o topo da coordenação, definindo as diretrizes financeiras e operacionais.
Núcleo Financeiro: Responsável por gerenciar contas bancárias de fachada e movimentar as grandes quantias de dinheiro, distribuindo os recursos pelas regiões.
Núcleo Operacional: Composto por representantes locais que atuavam nas dezenas de cidades, distribuindo os bilhetes, recolhendo valores e controlando a contabilidade das vendas.
LÍDER DA FACÇÃO JÁ HAVIA SIDO PRESO EM NITERÓI (RJ)
O anúncio da Operação Raspadinha do Crime, nesta terça-feira, conecta-se a uma importante prisão realizada há poucas semanas. O líder do esquema, Ederson Xavier de Lima (“Boré“), já havia sido capturado em uma ação estratégica e conjunta das forças de segurança.
“Boré“, considerado uma figura de alta periculosidade com extenso histórico criminal (incluindo tráfico de drogas, receptação e extorsão), estava foragido da Justiça de Mato Grosso.
Sua prisão ocorreu em 28 de setembro, enquanto ele desfrutava de uma praia em Niterói, no Rio de Janeiro (RJ).
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