A Polícia Civil do Rio de Janeiro desarticulou um esquema criminoso que utilizava um app de transporte clandestino para financiar o tráfico de drogas na Vila Kennedy, Zona Oeste da capital. A investigação revelou que o serviço, controlado por uma facção, funcionava como única opção de deslocamento para moradores da comunidade, gerando altos lucros para o crime organizado.
App de transporte era controlado por facção criminosa
O aplicativo, identificado como “Rotax Mobili”, operava com o slogan: “O único aplicativo de viagens de carro e moto que passa pela barricada e te deixa na porta de casa”. A promessa reforçava a exclusividade de circulação em áreas bloqueadas para plataformas oficiais.
Segundo a Polícia Civil, empresas regulares de transporte não podiam atuar na região, obrigando moradores a recorrerem ao serviço ilícito. Além disso, mototaxistas eram coagidos a aderir ao app de transporte, sob ameaça de agressões e restrição de circulação.
De acordo com a 34ª DP (Bangu), o sistema funcionou por aproximadamente três meses, movimentando cerca de R$ 1 milhão por mês. Os operadores do aplicativo cobravam de 20% a 30% do valor de cada corrida, além de uma taxa fixa mensal.
Mais de 400 mototaxistas foram aliciados, e havia plano para ampliar o número para mais de mil. Durante as diligências, os agentes localizaram uma central clandestina de internet que teria sido utilizada para sustentar as operações.
Prisões e apreensões durante a ação
A ação policial cumpriu sete mandados de prisão temporária e 12 de busca e apreensão, resultando na prisão de quatro suspeitos. Foram apreendidos R$ 300 mil em espécie, cheques, ouro e veículos de luxo blindados.
Empresas de fachada, incluindo uma loja em São Gonçalo suspeita de lavar dinheiro para o tráfico, também foram alvo. Um dos escritórios de desenvolvimento do app de transporte estava instalado na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio.

