*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta sexta-feira, dia 16 de janeiro, a Operação Proditio para desarticular um núcleo de uma facção criminosa responsável por um crime bárbaro registrado recentemente na região Oeste do estado.
A ação cumpre 21 ordens judiciais, incluindo mandados de prisão e internação, contra os autores da tortura e execução de uma adolescente de 16 anos.

As ordens são cumpridas nas cidades de Araputanga e Jauru. O objetivo da quebra de sigilo é identificar outros membros que participaram das videochamadas ou que receberam as imagens da tortura, o que pode ampliar o número de indiciados.
As investigações detalham um cenário de sadismo ocorrido em outubro de 2025, no município de Araputanga. A vítima, de 16 anos, foi atraída para uma residência no bairro Jardim Village no dia 19 de outubro, onde foi submetida a um “salve”, sessão de tortura, que durou horas.
De acordo com a Polícia Civil, a jovem foi estuprada, sofreu agressões físicas, afogamento em uma caixa-d’água e choques elétricos aplicados com um ventilador adaptado.
Todo o crime foi gravado e compartilhado via videochamada com outros membros da facção, servindo como uma espécie de “prestação de contas”. A adolescente foi estrangulada com um lençol e teve corpo descartado às margens do Rio Bugres, sendo localizado apenas dois dias depois.
O nome da operação, Proditio (que significa “traição” em latim), remete à motivação do assassinato.
A facção decretou a morte da menor por acreditar que ela teria envolvimento no desaparecimento de um integrante do grupo dias antes. A polícia aponta que o crime ocorreu em um contexto de suposta traição passional e acerto de contas interno da organização.
O exame de necropsia confirmou que a causa da morte foi asfixia mecânica por estrangulamento.

