*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A Polícia Civil de Mato Grosso, por meio da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (DRACO), deflagrou na manhã desta sexta-feira, dia 27 de fevereiro, a Operação Via Paralela. O objetivo é desarticular uma associação criminosa composta por policiais penais e reeducandos, especializada na introdução e comercialização ilícita de aparelhos celulares dentro do sistema prisional.

Ao todo, estão sendo cumpridas 10 ordens judiciais, sendo seis mandados de prisão temporária e quatro de busca e apreensão domiciliar. O foco das investigações é o Centro de Ressocialização Industrial Ahmenon Lemos, localizado em Várzea Grande.
O MODUS OPERANDI: COMO FUNCIONAVA O ESQUEMA
As investigações revelaram um esquema lucrativo e bem estruturado que utilizava a facilidade de acesso de servidores públicos para contornar a segurança da unidade.

Policiais penais, em seus dias de folga, eram responsáveis por buscar os aparelhos celulares com vendedores externos. Ao retornarem ao trabalho, os agentes entravam na unidade com os celulares, chegando a carregar até oito aparelhos de uma única vez. Os policiais deixavam os dispositivos escondidos em pontos específicos e pré-determinados dentro do presídio. Um preso que possuía autorização para circulação livre nas dependências da unidade buscava os aparelhos e fazia a entrega final aos detentos que haviam efetuado o pagamento.
VALORES E LUCRATIVIDADE
A corrupção tinha preço fixo. os policiais penais cobravam entre R$ 400 e R$ 800 por cada aparelho introduzido com sucesso na unidade. O esquema não se limitava apenas à entrega, mas envolvia uma verdadeira rede de comercialização interna.

Um reeducando específico desempenhava papel central na organização, atuando como o “gerente” do negócio. Ele coordenava a venda dos telefones entre os detentos e garantia que as “vantagens indevidas” (as propinas) fossem devidamente repassadas aos agentes públicos envolvidos.
DESARTICULAÇÃO E PRÓXMOS PASSOS
Com as ordens judiciais cumpridas hoje, a Polícia Civil busca agora identificar outros possíveis envolvidos e verificar se o esquema se estendia a outras unidades prisionais do estado. Os materiais apreendidos durante as buscas domiciliares passarão por perícia técnica.
Os policiais penais envolvidos devem responder por crimes de corrupção passiva e associação criminosa, além de enfrentarem processos administrativos que podem resultar na expulsão da corporação. Os detentos envolvidos terão suas penas agravadas e regressão de regime.

