*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quarta-feira, dia 14 de janeiro, a Operação Cartório Central, uma das maiores ofensivas do ano contra o crime organizado.
A ação mira o coração financeiro e a estrutura logística de uma facção criminosa com forte atuação em Primavera do Leste e região, mas que estendia seus tentáculos por diversos estados brasileiros.
Ao todo, estão sendo cumpridas 471 ordens judiciais, sendo 225 mandados de prisão preventiva, 225 mandados de busca e apreensão domiciliar e 21 medidas de bloqueio e indisponibilidade de valores.
Além de Mato Grosso, as equipes policiais estão em campo nos estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Pará, Acre e São Paulo, demonstrando a ramificação interestadual do grupo.
O “BANCO DO CRIME”: AGIOTAGEM E EXTORSÃO
As investigações, conduzidas pela Delegacia de Primavera do Leste há pouco mais de um ano, revelaram que a facção funcionava com uma estrutura empresarial, possuindo hierarquia rígida e um sofisticado controle financeiro.
O diferencial desta organização era a prática da usura pecuniária (agiotagem). O grupo realizava empréstimos informais para terceiros, com foco especial em comerciantes locais. Sob a supervisão do alto escalão da facção, os valores eram emprestados a juros abusivos, seguidos de extorsão para garantir o pagamento. Esse mecanismo servia tanto para lavar o dinheiro oriundo do tráfico de drogas quanto para exercer controle territorial sobre a economia local.
OBJETIVOS DA OPERAÇÃO
De acordo com a Polícia Civil, a “Cartório Central” foca em três pilares principais. O bloqueio de contas e a indisponibilidade de bens visam asfixiar o fluxo de caixa do grupo. A prisão de líderes e executores responsáveis pela logística e lavagem de dinheiro, ALÉM DE Interromper o domínio que a facção exercia sobre pequenos empresários e moradores da região de Primavera do Leste.

