*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A Polícia Civil de Mato Grosso desferiu um duro golpe financeiro em uma rede criminosa especializada em fraudes virtuais. Na manhã desta terça-feira, dia 21 de outubro, a terceira fase da Operação Código Seguro resultou no sequestro de valores que totalizam mais de R$ 5,9 milhões, causando um grande prejuízo ao grupo que atuava na obtenção e comercialização de dados e ferramentas para crimes pela internet em diversos estados do país.
A operação, coordenada pela Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI), cumpriu um total de 48 ordens judiciais, a maioria delas fora de Mato Grosso, abrangendo nove estados do país.

Entre as ordens judiciais, destacam-se: sete mandados de prisão, 15 de busca e apreensão, além do bloqueio e sequestro de valores que somam R$ 5.900.000,00, afastamento telemático (15), retirada de três sites do ar, sete canais do Telegram e um grupo de WhatsApp, essenciais para as operações criminosas.
Os mandados foram cumpridos nas cidades de São Paulo (SP), Francisco Alves (PR), Fortaleza (CE), Riachão (MA), Cabo Frio (RJ), Jaraguá do Sul (SC), Lauro de Freitas e Apuarema (BA), Manaus (AM) e Coronel Murta (MG).

OS CRIMES E O MODUS OPERANDI DA QUADRILHA
A investigação, que teve início em 2023 após acessos indevidos a sistemas policiais por meio de credenciais vazadas, identificou que o eixo de atuação do grupo criminoso era complexo e multifacetado, com foco na manipulação de informações confidenciais.
O principal esquema identificado consistia em:
Manipulação de Dados Veiculares: A aquisição de credenciais de acesso a sistemas governamentais restritos permitia ao grupo obter dados confidenciais de chassis, motores e placas de veículos.

Fraude de Identificação: O objetivo era adulterar os sinais identificadores de veículos furtados ou roubados, simulando uma situação de regularidade. Esse processo visava facilitar a reinserção dos automóveis no mercado de forma lícita, lucrando com o crime de roubo e furto.
Além do comércio de dados veiculares, a rede criminosa atuava em diversos tipos de fraudes e crimes cometidos por meios virtuais, como a clonagem de cartões de crédito e o comércio de dados operado por meio de plataformas clandestinas (sites, Telegram e WhatsApp).
Para reintroduzir o dinheiro sujo no mercado formal, o grupo utilizava sofisticados métodos de lavagem, como plataformas de apostas esportivas e corretoras de criptomoedas, simulando ganhos lícitos. As duas fases anteriores da Operação Código Seguro foram realizadas em julho e novembro de 2024.

