Um relatório de mais de 170 páginas concluído esta semana pela Polícia Federal concluiu que o ex-presidente Jair Bolsonaro realizou mais de 300 compartilhamentos de vídeos no WhatsApp durante o período das manifestações de 3 de agosto. O caso foi registrado em relatório que resultou no indiciamento de Bolsonaro e de seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Investigação da PF sobre o uso de vídeos no WhatsApp
Durante a apuração, a PF apreendeu o celular do ex-presidente e identificou uma série de mensagens enviadas a apoiadores. Segundo o relatório, em 3 de agosto, data marcada por manifestações em várias cidades brasileiras em apoio a Bolsonaro, ele encaminhou vídeos no WhatsApp que tratavam dos atos e também sobre a aplicação da chamada Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com os investigadores, a forma de envio e a frequência das mensagens foram comparadas às práticas atribuídas às chamadas “milícias digitais”. A PF destacou que, apenas em relação aos protestos realizados em Salvador (BA), determinadas mensagens foram replicadas ao menos 363 vezes por meio do aplicativo, demonstrando um suposto padrão de difusão em massa.
Prisão domiciliar e medidas cautelares
No dia 4 de agosto, Jair Bolsonaro passou a cumprir prisão domiciliar por ordem do ministro Alexandre de Moraes. A decisão ocorreu após o descumprimento da medida cautelar que vedava o uso de redes sociais, seja de contas próprias ou de terceiros. Além da prisão, o ex-presidente está submetido a outras restrições, como o uso obrigatório de tornozeleira eletrônica.
A defesa de Bolsonaro afirmou que recebeu com surpresa o indiciamento e declarou que irá prestar os esclarecimentos necessários ao Supremo Tribunal Federal. Segundo os advogados, as orientações determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes serão respondidas dentro do prazo legal.

