O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro teria sido reeleito caso o tivesse mantido como vice em sua chapa. A declaração de Mourão reacende debates sobre as decisões estratégicas que antecederam o pleito presidencial e as consequências judiciais que envolvem aliados do ex-presidente.
Mourão aponta erro estratégico na escolha do vice
Durante uma entrevista à imprensa, Mourão comentou sobre sua saída da chapa presidencial em 2022 e sugeriu que a troca por Walter Braga Netto, general da reserva, contribuiu diretamente para a derrota nas urnas. Segundo ele, a exclusão do processo decisório e do núcleo do governo teve início logo após Bolsonaro decidir por outro vice.
— “Quando o Bolsonaro escolheu, não quis mais que eu fosse o vice dele. Ele deixou de me chamar para reunião ministerial. Eu não participei de mais nada. Eu acho que, se eu tivesse sido o candidato a vice dele, nós teríamos ganho”, declarou Mourão.
A declaração também insinua que a presença de Braga Netto, atualmente preso preventivamente, influenciou os desdobramentos judiciais enfrentados por figuras centrais do antigo governo.
Relação com Braga Netto e investigações judiciais
Hamilton Mourão e Braga Netto possuem uma longa relação de amizade, o que torna a situação ainda mais delicada. Braga Netto está detido há mais de sete meses em uma unidade militar no Rio de Janeiro, acusado de envolvimento em uma suposta tentativa de golpe de Estado e na formação de uma organização criminosa para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Embora ambos sejam citados no mesmo inquérito, Mourão ainda não enfrenta acusações formais por parte do Supremo Tribunal Federal (STF). No processo em questão, ele foi incluído como testemunha de defesa por quatro réus: Augusto Heleno, Braga Netto, Paulo Sérgio Nogueira e o próprio Bolsonaro.
Mourão mantém distância política de Bolsonaro
Apesar de evitar críticas diretas ao ex-presidente, Mourão tem demonstrado publicamente um certo distanciamento em relação ao núcleo duro do governo anterior. Quando questionado se seu afastamento da chapa presidencial teria sido uma bênção diante dos atuais acontecimentos, Mourão respondeu de forma evasiva e bem-humorada: “Nada, não tinha acontecido nada, estava todo mundo feliz da vida, pô”.
A estratégia adotada por Mourão indica uma tentativa de preservar sua atuação institucional e, ao mesmo tempo, dissociar sua imagem de episódios mais controversos da gestão Bolsonaro.

