*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O pedreiro Gilberto Rodrigues dos Anjos foi condenado a 225 anos de prisão, em regime fechado, pelo Tribunal do Júri de Sorriso pelos crimes de estupro, estupro de vulnerável e feminicídio.
A condenação é referente ao brutal assassinato de uma mulher e as três filhas dela em novembro de 2023, um crime que chocou o país. O julgamento aconteceu na última quinta-feira, dia 07 de agosto, no Fórum do Município, e a sentença foi proferida pelo juiz Rafael Deprá Panichella após cerca de 10 horas de sessão.
O caminhoneiro Reginaldo Batista Cardoso, marido e pai das vítimas, expressou sua satisfação com o resultado do julgamento. Emocionado, ele destacou que, apesar de a condenação não trazer a família de volta, a justiça foi feita.
“Não muda para a gente, não vai trazer elas de volta, não vai diminuir o sofrimento, não vai diminuir a saudade, mas a justiça foi feita hoje”, disse.
Ele reforçou ainda a confiança na sentença do juiz, afirmando que o criminoso “não vai colocar o pé dele fora da cadeia nunca mais”. O depoimento de Reginaldo, assim como o de Elenara Calvi, irmã da vítima, descreveu as vítimas como “amorosas, cuidadosas, estudiosas e cheias de vida”.

DEPOIMENTOS E DETALHES DO JULGAMENTO
Durante o julgamento, os jurados ouviram depoimentos de testemunhas-chave, incluindo o delegado Bruno França, responsável pela investigação, que classificou o réu como um “criminoso em série frio”. Segundo o delegado, Gilberto só demonstrou tristeza por ter sido detido.
A defesa de Gilberto optou por não permitir que ele prestasse depoimento e o réu, que está detido na Penitenciária Central do Estado, acompanhou a sessão por videoconferência.
As argumentações finais foram marcadas por fortes falas. O promotor de Justiça, Luis Fernando Rossi Pipino, descreveu o julgamento como “uma guerra do bem contra o mal” e chamou o réu de “monstro de Sorriso”, pedindo a pena máxima.
Já a defesa, embora tenha garantido um julgamento justo, divergiu da acusação de estupro, sugerindo que o crime poderia ser vilipêndio a cadáver, com pena menor. No entanto, o júri popular, por unanimidade, decidiu pela condenação de Gilberto pelos crimes de estupro, estupro de vulnerável e feminicídio.
O CRIME COMETIDO
O crime brutal ocorreu no dia 24 de novembro de 2023. Gilberto Rodrigues dos Anjos, que trabalhava em uma obra ao lado da residência da família, invadiu o imóvel.
Ele assassinou e abusou sexualmente de Cleci Calvi Cardoso, de 47 anos, e suas filhas Miliane Calvi Cardoso, de 19, e duas menores de 13 e 10 anos.
Os corpos só foram descobertos três dias depois, quando o caminhoneiro Reginaldo Cardoso, que estava em viagem, pediu à polícia que verificasse a situação após perder o contato com a família.

