*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O assassinato brutal de uma adolescente de 17 anos no bairro Três Barras, em Cuiabá, chocou as autoridades pela crueldade e pelos contornos de perversidade revelados pela investigação.
A delegada Jéssica Cristina de Assis, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), não mediu palavras ao classificar o crime cometido pelo irmão da vítima, Marcos Pereira Soares, de 23 anos.
“A motivação é ódio ao gênero, desprezo ao feminino. Foi um feminicídio no sentido clássico do termo”, afirmou a delegada.
CENÁRIO DE HORROR E INDÍCIOS DE BARBÁRIE
De acordo com os detalhes trazidos pela autoridade policial, a vítima foi encontrada em um cenário desolador: submersa em um córrego, nua e enrolada em um lençol. Para garantir que o crime não fosse descoberto, o assassino amarrou os pés da jovem a uma raiz de árvore e colocou uma pedra pesada sobre suas costas para mantê-la no fundo do leito.
O corpo apresentava sinais de extrema violência. A delegada confirmou que há fortes indícios de violência sexual, embora a confirmação técnica dependa do laudo pericial. Roupas da adolescente foram apreendidas na residência de Marcos e serão submetidas a análise.
O PERFIL DE UM PREDADOR EM SÉRIE
A investigação da DHPP tomou um rumo ainda mais sombrio com a descoberta de que, na mesma noite do desaparecimento da irmã, na última terça-feira, dia 10 de março, Marcos “caçou” outra vítima. Imagens de segurança mostram o suspeito rondando o estúdio da designer de unhas Luanny Santos. Ele tentou enganar a empresária para entrar no local e chegou a agachar para observá-la pelas frestas da porta.
Para a delegada Jéssica Assis, o comportamento de Marcos sugere um perfil patológico.
“Tudo leva a crer, pelo comportamento dele, que há indícios de um criminoso sexual em série”, explicou. A polícia agora apura se houve outras tentativas de ataques contra mulheres na região.
HISTÓRICO CRIMINAL E A FALHA QUE LIBERTOU O ASSASSINO
Marcos Pereira é considerado um indivíduo de altíssima periculosidade. Ele possui condenações por estupro de vulnerável, homicídio e ocultação de cadáver (matou um idoso e o enterrou em cova rasa em 2020),roubo, tráfico de drogas e corrupção de menores.
A maior indignação do caso reside no fato de Marcos ter deixado a prisão apenas três dias antes de matar a irmã. Ele foi solto no sábado, dia 7 de março, devido a um erro de checagem no sistema do Judiciário, que possuía dois registros diferentes para o mesmo nome (RJIs). Os servidores checaram apenas um processo de violência doméstica revogado e ignoraram a condenação por homicídio de 2020.
A NEGATIVA DO SUSPEITO
Ao ser preso na última quinta-feira, dia 12 de março, Marcos negou o crime à imprensa, alegando ser vítima de uma injustiça e ameaçando tirar a própria vida. No entanto, a delegada ressaltou que ele apresentou versões contraditórias em interrogatório. A investigação confirmou que ele foi até a casa de outra irmã, onde a vítima morava, com o pretexto de pedir ajuda para um assunto familiar, retirando a adolescente do local antes dela desaparecer.
AUTUAÇÃO CRIMINAL
Marcos Pereira Soares foi autuado por quatro crimes graves:
-Feminicídio (com a qualificadora de ódio ao gênero);
-Estupro;
-Ocultação de cadáver;
-Sequestro.
O suspeito permanece detido à disposição da Justiça.
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Vídeo: Reprodução Reporter MT

