A construção de uma ponte de concreto em Área de Preservação Permanente (APP) em Santo Antônio de Leverger acabou indo parar na Justiça, em meio à denúncia de graves danos ambientais e falta de licenciamento. A situação, que ocorre na zona rural do município, próximo à Comunidade Barranco Alto, em área às margens do Rio Cuiabá, pode resultar em Mandado de Segurança Cível no Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
O processo, autuado em 17 de outubro de 2025 tramita na Vara Especializada do Meio Ambiente, sob o assunto de Dano Ambiental, reforçando a seriedade das acusações contra a obra.
Com o caso agora tramitando na Vara Especializada do Meio Ambiente do Tribunal de Justiça, a expectativa é que a Justiça determine a paralisação da obra e exija o licenciamento ambiental devido, ou a responsabilização pelos danos causados à APP.

Vera Lúcia Ferrari, cuja propriedade é vizinha do local, relata que a construção da ponte de concreto, que substitui uma antiga ponte de madeira, foi iniciada de “forma abrupta” e “sem o devido respaldo legal“.
“Existia e sempre existiu uma ponte de madeira em frente a nossa beira de rio, grande parte pega nossa propriedade. Depois de muito fazer ponte de madeira, alguém teve iniciativa agora de ir lá e fazer uma ponte de concreto. Assim começou sem autorização, a não ser da digníssima prefeita de Santo Antônio, que autorizou a construir essa ponte numa região de APP.”
A empresária expõe a brutalidade da intervenção, que, segundo ela, está sendo feita por maquinários sem identificação:
“Chegaram maquinários, vários caminhões, sem emblema, sem apresentação, destruindo a natureza, acabando com a beira do rio naquele local, coisa que vai fazer muito falta e que a gente preservou tudo isso, o tempo todo com vegetação nativa, constituindo ali uma mata ciliar e eles chegaram destruindo tudo.”
Ela denuncia a falta de transparência e o momento em que a ação foi realizada:
“Ao que a gente tem conhecimento, não existe licitação. E começaram a agir no final de semana. No sábado, desceram muito maquinários, placas, arrebentaram cabos de energia, que era fornecimento nosso da pousada. “
Apesar de reconhecer a necessidade de melhorar a logística para os moradores seguintes, por onde passam veículos pesados como caminhões de lixo, gás e ônibus escolares, Vera Lúcia lamenta que a solução adotada foi a mais destrutiva.
SEMA ALEGA DESCONHECIMENTO DA DENÚNCIA
Em contrapartida à denúncia e ao protocolo de ouvidoria que a empresária diz ter realizado, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) informou à reportagem que não recebeu denúncia a respeito do assunto mencionado.
A SEMA, contudo, reforçou que a Ouvidoria do órgão é o canal apropriado para recebimento de denúncias, as quais podem ser feitas pelo WhatsApp 65 98153-0255.
NOTA DA SEMA NA ÍNTEGRA
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) informou que não recebeu denúncia a respeito do assunto mencionado na reportagem. E reforçou que a Ouvidoria do órgão é o canal apropriado para recebimento de denúncias, que podem ser feitas pelo whatsapp 65 98153-0255
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