*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O projeto político da direita conservadora em Mato Grosso sofreu uma mudança drástica de rota. Em uma live realizada nas redes sociais no último domingo, dia 15 de fevereiro, o pré-candidato ao Senado, Antônio Galvan, e esposa dele, Paula Boaventura, ex-presidente regional da sigla, anunciaram o desembarque oficial do Democracia Cristã (DC), disparando fortes críticas à diretoria nacional.
Um dos pontos mais polêmicos da manifestação de Galvan foi a revelação de que a intervenção no DC de Mato Grosso teria sido arquitetada fora do partido, envolvendo o prefeito de Sinop, Roberto Dorner (PL). Galvan questionou por que a mudança na sigla foi selada na cidade do norte do estado e por que a proposta oferecida a ele envolvia ser suplente da deputada estadual Janaina Riva (MDB), que é nora do candidato ao governo de Mato Grosso, Wellington Fagundes (PL).
A rivalidade entre Galvan e Dorner não é nova: em 2024, Galvan endossou a candidatura de Mirtes da Transterra à Prefeitura de Sinop, com apoio de Jair Bolsonaro, batendo de frente com o atual prefeito. Agora, o empresário Paulo Cezar de Oliveira (Paulinho Vileal), aliado de Dorner, assumiu o comando do DC no estado com vigência até 2027.
GALVAN: “O TIRO SAIU PELA CULATRA”
Antônio Galvan reafirmou suas pautas inegociáveis, anistia geral e voto impresso com contagem pública, e classificou a manobra como um ato de traição.
“Não foi uma decisão exclusiva da nacional. Por que isso foi feito em Sinop? A verdade é que o tiro, se tinha intenção de me acertar, me fortaleceu. Já estamos em conversas avançadas com quatro outros partidos”, declarou o produtor rural.
PAULA BOA VENTURA: “RESISTÊNCIA CONTRA A VELHA POLÍTICA”
Responsável pela liderança do partido por 16 meses, Paula Boaventura afirmou que a intervenção foi fruto de uma convenção da qual o diretório regional sequer foi notificado. Ela defendeu que a gestão dela incomodou o sistema por formar novas lideranças conservadoras.
“Faz parte da estratégia esquerdista e da velha política, mas princípios e valores são inegociáveis. Não aceitamos a proposta de ser suplente de Janaina Riva ou apenas deputado federal. A decisão é da direita de Mato Grosso, e nossa base segue unida no propósito do desembarque”, pontuou Paula.
HAROLDO ARRUDA: “POSTURA INDIGNA DE UM CRISTÃO”

Convidado da live, o cientista político, analista Haroldo Arruda (PL) e pré-candidato a deputado federal pelo PL, trouxe uma análise ética sobre o comportamento da sigla. Ele classificou a atitude do DC nacional como inadmissível para um partido que carrega a bandeira cristã.
“É traição, não tenha dúvida alguma. Se um partido faz isso com seus próprios correligionários, imagina o que fará com o eleitor. Essa debandada ocorre porque houve um rompimento de valores, princípios e caráter. Isso é vergonhoso”, afirmou Arruda.
NOVOS RUMOS
A saída de Galvan e Paula é acompanhada por uma “debandada” das lideranças municipais do DC. Segundo Galvan, reuniões já foram realizadas com presidentes de diretórios municipais para coordenar a migração conjunta para uma nova legenda.
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