Um evento realizado na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) na última segunda-feira, dia 22 de setembro, se tornou o epicentro de uma intensa controvérsia, reacendendo o debate sobre a influência política e ideológica em instituições de ensino superior federais. O evento, sediado no auditório do Centro de Ciências Humanas e Sociais (CEHUS), marcou a aula inaugural da 6ª Turma Especial de Medicina Veterinária do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), mas a polêmica se instalou devido à abertura da XII Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária, cujo tema provocativo era “defender a vida, combater o agronegócio”.

A manifestação, taxada por parlamentares e entidades do setor como de extrema-esquerda em ambiente público federal, motivou críticas contundentes, sendo o deputado estadual por Mato Grosso, Gilberto Cattani (PL), uma das vozes mais incisivas. Cattani, que é assentado da Reforma Agrária, fez um contraponto direto, apontando o Pronera como a raiz do problema.
O deputado Gilberto Cattani utilizou o evento na UFPel como um exemplo do que ele tem alertado há anos. Segundo ele, o cerne da indignação de muitos parlamentares com a politização nas universidades reside no Pronera, um programa do Ministério da Educação (MEC) que apoia projetos de ensino voltados ao desenvolvimento das áreas de reforma agrária.
Em sua fala, Cattani não hesita em atrelar a execução do programa ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e desassociá-lo da verdadeira finalidade da reforma agrária:
“Eu tenho notado uma coisa muito interessante, eu tenho visto vários deputados, inclusive deputados federais, falando sobre o que está acontecendo hoje nas universidades. Cursos exclusivos para membros do MST, deixando muito claro que o MST não tem absolutamente nada a ver com a reforma agrária. O maior inimigo da Reforma Agrária na verdade é o MST.”
O parlamentar argumenta que o Pronera está gerando um corpo técnico e acadêmico que trabalha contra o modelo produtivo do país, exemplificando com o curso de Agronomia:
“Hoje nós vemos aí, por exemplo, é a agronomia exclusiva para a reforma agrária, e essa agronomia exclusiva para a reforma agrária, ela ataca o agronegócio.”
Para Cattani, a indignação com eventos pontuais, como o da UFPel, é um “tiro no passarinho errado”, pois a causa estrutural que permite a institucionalização dessa ideologia nas universidades é o Pronera:
“Esse programa é exclusivo do MST e não tem nada a ver com a reforma agrária.”
A crítica central de Cattani é que o programa está sendo utilizado para formar profissionais, como engenheiros agrônomos, médicos veterinários e outros, com uma visão ideológica que visa o combate ao agronegócio.
“Eles estão criando engenheiro agrônomo que vai contra o agronegócio, que vai defender a tal da agrofloresta, que vai dizer que o agronegócio tem que acabar no Brasil e que vão atacar diretamente o agronegócio. Vocês estão vendo o resultado desse programa?”
O deputado finaliza com um desafio direto aos seus pares no Congresso.
“Vai acontecer porque existe um programa do Ministério da Educação que vai dar respaldo pra isso, dentro da legalidade que os senhores não fazem nada no Congresso ai pra impedir. Então se querem resolver esse problema olhe para a causa: o Pronera. Alguns dos senhores já tentou acabar com esse programa nefasto?”, indagou ele.
VEJA VÍDEO PUBLICADO PELO DEPUTADO ESTADUAL GILBERTO CATTANI (PL) NAS REDES SOCIAIS SOBRE O CASO
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