*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O clima esquentou nos bastidores do União Brasil (UB) em Cuiabá. A vereadora Michelly Alencar utilizou a tribuna da Câmara Municipal, na última terça-feira, dia 10 de março, para desabafar contra a decisão da cúpula partidária que a impede de deixar a legenda para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) por outra sigla.
A parlamentar, que planejava migrar para o Podemos ou para o Partido Novo, teve os planos barrados por uma resolução estadual do União Brasil. Michelly afirmou que não aceitará ser usada apenas para preencher requisitos burocráticos da legenda.
“Não sou, não fui e vou lutar para não ser mais um número ali no meu partido para ser uma cota apenas. Quero fazer um pleito justo, de representatividade, e mostrar que esse tempo onde mulher era apenas número para eleger quem alguns barões gostariam de eleger, já passou”, disparou a vereadora.
A BARREIRA DO UNIÃO BRASIL
A proibição foi confirmada pela presidente do diretório municipal do União Brasil, a deputada federal Gisela Simona. Segundo ela, o partido aprovou uma resolução válida para todo o estado de Mato Grosso que veda a saída de detentores de mandato eletivo para disputar as eleições deste ano por outras agremiações.
Gisela justificou que a medida visa manter a musculatura partidária e que não houve perseguição individual, mas sim uma regra geral.
“Nós decidimos não abrir essa exceção para ninguém e soltamos a resolução no sentido de proibir a mudança de partido. Não tínhamos o caso apenas da vereadora Michelly Alencar, mas de outros municípios também. Concordei com a decisão do partido”, explicou Simona.
O EMBATE PELA REPRESENTATIVIDADE
Para Michelly Alencar, o impedimento fere a autonomia das mulheres na política e as coloca em uma posição de subordinação estratégica. Ela defende que a ocupação de espaços deve vir do reconhecimento das urnas e do trabalho realizado, e não de manobras internas que limitam as opções de candidatura.
“Precisamos que as mulheres ocupem esse espaço e tenham a credibilidade de serem reconhecidas pela urna, não por terem que provar todos os dias que merecem estar aqui. Isso começa no processo eleitoral”, pontuou a vereadora.
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