A grave crise humanitária na Faixa de Gaza atingiu um novo patamar neste domingo (27), quando caminhões carregados com farinha foram saqueados por multidões famintas. O episódio ocorreu durante uma trégua temporária nas operações militares israelenses, revelando o nível extremo de necessidade da população local.
Saques e desespero marcam entrega de ajuda na Faixa de Gaza
Segundo relatos do jornalista Hani Mahmoud, correspondente da Al Jazeera na região, entre sete e dez caminhões com mantimentos conseguiram acesso à zona norte da Faixa de Gaza. No entanto, apenas parte deles chegou ao destino previsto. Populações desesperadas interceptaram os veículos antes que pudessem alcançar o centro da cidade, cenário que escancarou a escassez de alimentos e o colapso da ordem pública no enclave.
“Nem todos os caminhões conseguiram chegar ao centro, porque multidões famintas os cercaram”, afirmou Mahmoud. O conteúdo principalmente farinha e itens essenciais foi saqueado rapidamente, enquanto a população lutava por uma chance de sobrevivência em meio ao caos.
Tréguas humanitárias não têm sido suficientes
As pausas diárias nos confrontos, anunciadas pelo Exército de Israel, visam facilitar a entrada de ajuda humanitária. Elas ocorrem entre 10h e 20h nas áreas de al-Mawasi, Deir el-Balah e Gaza City. Ainda assim, a logística limitada e o acesso restrito a certas regiões comprometem a eficácia da medida.
De acordo com informações da Al Jazeera, grande parte dos deslocados encontra-se concentrada no centro da cidade de Gaza, justamente onde os caminhões não conseguiram chegar devido à insegurança e ao volume de pessoas. Como resultado, o mercado paralelo vem se fortalecendo, com preços abusivos e aumento da exploração. “Isso só agrava a crise e alimenta o mercado negro”, pontuou o jornalista.
Fome atinge níveis alarmantes na Faixa de Gaza
A insegurança alimentar na Faixa de Gaza já é classificada como crítica por organismos internacionais. O Programa Mundial de Alimentos (WFP), vinculado à ONU, afirma que aproximadamente um terço da população do território está sem comer há dias. Cerca de 500 mil pessoas vivem em condições semelhantes à fome extrema.
Além disso, os métodos alternativos de entrega, como os lançamentos aéreos, vêm sendo duramente criticados. Em algumas ocasiões, os pacotes de alimentos causaram ferimentos em pessoas que tentavam alcançá-los em meio à confusão generalizada. O cenário reflete não apenas a urgência por alimentos, mas também a falta de infraestrutura e segurança básica para a população.
Ataques continuam mesmo durante pausas
Apesar das tréguas humanitárias anunciadas, ataques continuam sendo registrados. No mesmo dia dos saques, autoridades locais relataram a morte de ao menos 53 pessoas em ofensivas israelenses. Entre as vítimas, 32 estariam próximas a pontos de entrega de ajuda humanitária, aguardando o recebimento de mantimentos.
Esse tipo de ocorrência aumenta a insegurança em torno da distribuição de recursos e dificulta ainda mais as operações de auxílio.

