Mais de 300 integrantes do MST ocuparam a Estação de Zootecnia do Extremo Sul da Bahia, em Itabela, interrompendo pesquisas internacionais sobre meio ambiente. A invasão acontece em meio a um impasse com órgãos federais sobre a destinação de terras públicas e já dura mais de 24 horas.
Motivações por trás da ação do MST
De acordo com o próprio MST, a ocupação tem caráter pacífico e visa pressionar o governo federal para retomar as negociações sobre a utilização de áreas desocupadas para fins de reforma agrária. A estação pertence à Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) e é administrada pelo governo federal. O movimento alega que o acordo sobre essas áreas está paralisado há meses.
O pacto em questão envolvia o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a Secretaria do Patrimônio da União (SPU), o Ministério do Desenvolvimento Agrário e a própria Ceplac. Segundo o MST, o objetivo era garantir que terras sem uso definido fossem destinadas à reforma agrária, beneficiando trabalhadores rurais sem acesso à terra.
A Estação de Zootecnia localizada às margens da BR-101 é um centro de referência em pesquisas relacionadas à mitigação de gases de efeito estufa, sequestro de carbono no solo e manejo sustentável de pastagens. A unidade possui parcerias com instituições acadêmicas do Brasil, Estados Unidos e Canadá.
Com a ocupação, diversos setores da estação já estão com suas atividades interrompidas, o que pode comprometer projetos científicos em andamento. Pesquisadores e funcionários relataram que estão impedidos de acessar as instalações.
Danos causados durante a invasão do MST
Servidores da Ceplac afirmam que os integrantes do MST danificaram cercas e realizaram ligações elétricas clandestinas, o que resultou em curtos-circuitos e prejuízos a equipamentos do centro. O bloqueio de acesso ao local também impossibilita a continuidade dos experimentos, o que pode gerar perdas significativas em estudos de longo prazo.
Além disso, há receio de que os danos estruturais causados dificultem a retomada das atividades, mesmo após eventual desocupação. Os funcionários afirmam que a situação compromete diretamente a credibilidade dos projetos em parceria com instituições internacionais.
Histórico de ocupações do MST no local
Essa não é a primeira vez que o MST invade a Estação de Zootecnia em Itabela. Em anos anteriores, especificamente em 2022 e 2024, o centro também foi alvo de ações do movimento, com motivações semelhantes relacionadas à luta pela reforma agrária.
Apesar da reincidência, o MST ainda não definiu um prazo para encerrar a ocupação atual. Em nota, o movimento reiterou que seguirá pressionando o governo até que as negociações sejam retomadas.

