*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O cenário político de Mato Grosso foi sacudido nesta semana por um diálogo vazado que coloca sob lupa a lisura de contratos públicos no estado.
O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) formalizou, na última quinta-feira, dia 19 de março, um pedido ao Tribunal de Justiça (TJMT) para investigar criminalmente o deputado estadual Valmir Moretto (Republicanos).
A investigação, que deve correr sob sigilo, busca apurar um possível conflito de interesses e violação da legislação que proíbe parlamentares de manterem contratos com a administração pública.
O FLAGRANTE
O estopim da crise ocorreu na última terça-feira, dia 17 de março, durante um evento oficial em Pontes e Lacerda para a assinatura da licitação do novo Hospital Regional. Um áudio captado e amplamente divulgado nas redes sociais registrou uma conversa informal entre o governador Mauro Mendes (União) e o deputado Moretto.
No diálogo, ao ser questionado sobre quem teria vencido as licitações de três obras que somam quase R$ 200 milhões, Moretto disparou:
“Duas, a Agrimat, e uma, a minha”.
A declaração gerou reação imediata, já que a legislação brasileira veda expressamente que ocupantes de cargos legislativos possuam empresas que prestem serviços ao Estado pelo qual foram eleitos.
A DEFESA: “VÍCIO DE LINGUAGEM”
Em nota oficial, o deputado Valmir Moretto tentou minimizar a repercussão, classificando a fala como um “vício de linguagem” por hábito. Ele admitiu que a empresa vencedora do certame é, de fato, a mesma que ele fundou, mas ressaltou que deixou a sociedade em 2018, muito antes de assumir seu atual mandato na Assembleia Legislativa em fevereiro de 2023.
Moretto afirmou que não possui mais qualquer vínculo jurídico ou financeiro com a empresa e que o processo licitatório seguiu todos os critérios técnicos e legais.
MAURO MENDES NEGA ERRO E APOIO “LEI ANTI-PARENTES”
O governador Mauro Mendes também se pronunciou, negando qualquer irregularidade por parte do Poder Executivo. Mendes afirmou que não acompanha detalhes de processos licitatórios e que só soube dos vencedores no momento da assinatura.
“O governo não fez nada de errado. Eu nem sabia quem ganhou, não acompanho licitação”, declarou o governador.
Mendes declarou ainda apoio total ao Projeto de Lei nº 76/2026, de autoria do deputado Valdir Barranco (PT). A proposta é rigorosa e prevê proibição total de participação direta ou indireta de políticos e familiares de até 3º grau em contratos com o Estado e exige declaração formal de inexistência de impedimentos.
O projeto ainda prevê sanções, como a anulação de contratos, responsabilização dos envolvidos e punição a agentes públicos que autorizarem contratações irregulares.
O governador defendeu, inclusive, que a lei seja ampliada para alcançar contratos de publicidade e veículos de comunicação.
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