O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), esteve ao menos duas vezes na mansão do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, em Brasília. As informações fazem parte de apuração jornalística do Portal Metrópoles que detalha encontros reservados e contextos relacionados a negociações financeiras, além de outros episódios ocorridos no imóvel. Moraes aparece no centro do relato, que envolve executivos do sistema financeiro, decisões do mercado e repercussões institucionais.
Encontros de Moraes com dirigentes do setor financeiro
Uma das visitas relatadas ocorreu em um fim de semana do primeiro semestre de 2025. Na ocasião, o então presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, foi chamado por Daniel Vorcaro para comparecer à residência. Segundo o relato, Vorcaro informou que o ministro estava presente no local, o que motivou o deslocamento do executivo até a mansão.
Ao chegar ao imóvel, Paulo Henrique Costa foi conduzido a uma área reservada da residência, onde foi apresentado a Moraes. Testemunhas afirmaram que o ministro estava acompanhado de um assessor e que o encontro ocorreu de forma discreta. Quatro pessoas teriam presenciado a situação descrita na apuração.
Naquele período, o Banco Master buscava alternativas para evitar o encerramento de suas operações. De acordo com relatos, durante a conversa houve troca de impressões entre Moraes e o então presidente do BRB sobre o cenário enfrentado pela instituição financeira privada.
Negociação entre Master e BRB e atuação do Banco Central
Pouco tempo depois, foi anunciada a intenção de compra do Banco Master pelo BRB. A operação, no entanto, teve repercussão negativa no mercado financeiro e acabou sendo barrada pelo Banco Central. O órgão regulador apontou inconsistências nos ativos apresentados e levantou suspeitas relacionadas à venda de carteiras de crédito ao banco estatal.
A negociação não avançou, e o episódio passou a ser analisado sob diferentes ângulos por autoridades e agentes do setor. O encontro envolvendo Moraes, Vorcaro e Paulo Henrique Costa ocorreu justamente em meio a esse contexto de incertezas sobre o futuro do Banco Master.
Além do encontro com o então presidente do BRB, a apuração aponta que o ministro do STF esteve em outra ocasião na mansão do banqueiro. Em 6 de novembro de 2024, data da eleição presidencial nos Estados Unidos, Moraes acompanhou no local a divulgação do resultado que reconduziu Donald Trump ao cargo de presidente.
Posteriormente, Trump aplicaria sanções contra Moraes com base na Lei Magnitsky, legislação norte-americana utilizada para punir autoridades estrangeiras acusadas de violações graves.
Segundo pessoas ouvidas, o ministro permaneceu em uma área restrita do imóvel, descrita como um espaço no subsolo com acesso controlado, poltronas e estrutura destinada ao consumo de charutos. Relatos mencionam que no local havia consumo de vinhos e charutos. Daniel Vorcaro é conhecido por manter uma coleção de destilados e rótulos de alto valor.
Relação profissional envolvendo escritório de advocacia
Ainda de acordo com informações relatadas, pessoas que circulavam pela residência sabiam que o Banco Master havia firmado contrato com o escritório de advocacia da esposa de Moraes. O acordo foi assinado em 16 de janeiro de 2024, com valor informado de R$ 129 milhões.
Alexandre de Moraes, em manifestações anteriores, afirmou que nem ele nem o escritório de sua esposa atuaram para tentar reverter a liquidação do banco por meio da negociação com o BRB. O ministro não costuma comentar publicamente suas relações pessoais com Daniel Vorcaro, nem confirma a frequência à residência do empresário.
Posicionamento dos citados
Procurado para comentar o conteúdo da reportagem, Moraes não respondeu até o fechamento do material. Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa também foram contatados e informaram que não se manifestariam sobre o assunto, mantendo o espaço aberto para eventuais esclarecimentos.
Em depoimento prestado à Polícia Federal, ao ser questionado sobre quem frequentava sua residência em Brasília, Vorcaro citou apenas o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB).

