O advogado de Bolsonaro, Paulo Costa Bueno, será ouvido pela Polícia Federal após determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida faz parte de uma investigação sobre suposta obstrução de Justiça relacionada às delações do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro.
No foco, o advogado de Bolsonaro
O ministro Alexandre de Moraes concedeu prazo de cinco dias para que a Polícia Federal colha os depoimentos de Fábio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação da Presidência, e do advogado de Bolsonaro, Paulo Costa Bueno. Ambos são citados em apurações sobre tentativa de interferência na colaboração premiada de Mauro Cid.
A decisão foi emitida no contexto de um inquérito conduzido por Moraes, após o recebimento de materiais encaminhados pela defesa de Cid, que apontam tentativas de contato com familiares do militar por advogados ligados à defesa do ex-presidente.
De acordo com os documentos anexados ao inquérito, Luiz Eduardo Kuntz, advogado de Marcelo Câmara (ex-assessor de Bolsonaro), teria feito contato insistente com a filha de Mauro Cid, de apenas 14 anos, utilizando o aplicativo WhatsApp. O mesmo comportamento foi atribuído a Fábio Wajngarten, que, segundo os autos, teria buscado aproximação tanto com a esposa quanto com a mãe de Cid, Agnes Barbosa Cid.
Em determinado trecho da decisão, Moraes relata que Kuntz, acompanhado do advogado de Bolsonaro, Paulo Costa Bueno, abordou a mãe do militar durante um evento na Hípica de São Paulo. Segundo o ministro, a abordagem visava convencê-la a influenciar a troca da defesa constituída por Cid, o que poderia configurar tentativa de obstrução de investigação criminal relacionada a uma organização criminosa.
Defesa de Mauro Cid reage às acusações
A defesa de Mauro Cid anunciou que apresentará ao Supremo Tribunal Federal um relatório com informações que contradizem a acusação de que o militar teria mentido à Justiça ou violado os termos da delação premiada. Entre os dados apresentados está a alegação de que um perfil em rede social, supostamente controlado por Cid, teve acessos registrados a partir de Copenhague, na Dinamarca.
Os advogados do militar afirmam que esses acessos comprovam que ele não estava operando a conta no período mencionado, contrariando a tese de que tenha descumprido medidas judiciais.
Troca de mensagens entre advogado e Cid complica depoimento
Mensagens apresentadas por Luiz Eduardo Kuntz indicam que ele manteve conversas diretas com Mauro Cid. Esses registros foram incluídos nos autos e serviram como base para a argumentação de que o militar teria mentido em depoimento ao STF. A conduta também é apontada como quebra dos termos acordados na delação premiada.
Diante desses elementos, a PF deve ouvir os envolvidos para esclarecer se houve, de fato, tentativas de interferência indevida no curso das investigações.

