*Sêmia Mauad/ Opinião MT
Uma operação de escala nacional da Polícia Civil desarticulou, na manhã da última quinta-feira, dia 26 de fevereiro, um esquema sofisticado de tráfico transfronteiriço de drogas e lavagem de dinheiro. O alvo principal em Mato Grosso foi a médica Naiara Batistelo, de 38 anos, presa preventivamente em sua residência no município de Nova Santa Helena.
A Operação Argos mobilizou forças policiais em quatro estados,Mato Grosso, Paraíba, São Paulo e Bahia, para o cumprimento de 44 mandados de prisão.
A investigação revela uma estrutura profissionalizada que utilizava carretas para o transporte de cocaína e uma rede complexa de contas bancárias para ocultar o patrimônio ilícito.
A PEÇA-CHAVE FINANCEIRA
Formada na Bolívia e atuante em Mato Grosso, Naiara Batistelo é apontada pelos investigadores como peça-chave na movimentação financeira da organização.
Segundo o relatório da Polícia Civil da Paraíba, que lidera as investigações com apoio da Delegacia Regional de Guarantã do Norte (MT), a médica teria recebido mais de R$ 10,9 milhões em um período de apenas 29 meses.
As autoridades estimam que a organização criminosa como um todo tenha movimentado cerca de R$ 500 milhões desde 2023. O volume financeiro chamou a atenção, revelando que a profissão médica poderia estar sendo utilizada como fachada ou suporte para a integração do dinheiro do tráfico ao sistema financeiro legal.
APREENSÕES E PRISÃO
Durante a incursão na residência da médica, os agentes da Polícia Civil apreenderam veículo de luxo, joias de alto valor e equipamentos eletrônicos (celulares e computadores) que passarão por perícia.
A prisão preventiva foi executada sem resistência, e a suspeita foi encaminhada para as autoridades competentes.
Até o fechamento desta edição, o Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) não havia se manifestado sobre a situação cadastral ou ética da profissional diante dos fatos narrados.

