*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União), quebrou o silêncio e disparou duras críticas à instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde na Assembleia Legislativa (ALMT). Em declaração dada na última terça-feira, dia 3 de março, após a oficialização dos membros da comissão, o chefe do Executivo classificou o movimento como uma “manobra política” carente de seriedade e contemporaneidade.
O EMBATE DAS ASSINATURAS
O cerne da polêmica reside na forma como a CPI foi viabilizada pelo deputado Wilson Santos (PSD), autor do requerimento. Lideranças partidárias contestam a validade do documento, alegando que Santos utilizou assinaturas colhidas em 2023, que não foram atualizadas para o cenário de 2026.
Dos oito deputados que inicialmente apoiaram o pedido, três já recuaram formalmente: Juca do Guaraná (MDB), Chico Guarnieri (PRD) e Dr. João José de Matos (MDB). Eles argumentam que o desejo de investigar manifestado há dois anos não se aplica ao momento atual.
Em contrapartida, Wilson Santos mantém sua posição: “Eles assinaram, eles são adultos. São conscientes. É só checar se as assinaturas são verdadeiras ou não. O regimento não estabelece [prazo de validade]”, rebateu o parlamentar.
“REQUENTANDO” INVESTIGAÇÕES
Mauro Mendes foi enfático ao afirmar que a CPI pretende focar em fatos que já foram exauridos pelas forças de segurança. Ele citou a Operação Espelho, deflagrada pela Polícia Civil em 2023 para investigar supostos superfaturamentos na Secretaria de Estado de Saúde (SES) durante a pandemia.
“Quer investigar? Pode investigar. Mas não investigar aquilo que a polícia já investigou, que o Ministério Público já investigou e que já processou. Isso dá uma certa clareza de que se trata apenas de um movimento político de algumas pessoas”, afirmou o governador.
Mendes lembrou ainda que as investigações da época foram iniciadas por denúncias da própria Secretaria de Governo.
“Dois anos depois, usando uma manobra, foram apresentadas essas mesmas assinaturas. Lamento que, com tanta coisa séria para fazer, tenhamos que perder tempo com isso”, pontuou.
COMPOSIÇÃO DA CPI
Apesar das contestações, a comissão já tem seus nomes definidos:
-Presidente: Wilson Santos (PSD)
-Membros Titulares: Dilmar Dal Bosco (União – Líder do Governo), Beto Dois a Um (PSB – Vice-líder), Chico Guarnieri (PSD) e Janaina Riva (MDB).
-Suplentes: Carlos Avallone (PSDB), Paulo Araújo (PP), Lúdio Cabral (PT), Dr. Eugênio de Paiva (PSB) e Thiago Silva (MDB).
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