A defesa de Lulinha confirmou que o empresário Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, realizou uma viagem a Portugal em 2024 ao lado do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Segundo o advogado Marco Aurélio de Carvalho, o encontro ocorreu por convite do empresário e teve como objetivo visitar uma fábrica de produtos ligados à cannabis medicinal. Apesar da confirmação da viagem, a defesa afirma que Lulinha não teve participação em irregularidades investigadas pela Polícia Federal.
Viagem a portugal com investigado
De acordo com o advogado, a viagem ocorreu em novembro de 2024 e foi organizada pelo próprio Antônio Carlos Camilo Antunes. Na época, ele era visto como um empresário atuante no setor farmacêutico. O contato entre os dois teria sido intermediado pela empresária Roberta Luchsinger, que mantém amizade com Lulinha e também com sua esposa, Renata.
Segundo Marco Aurélio de Carvalho, o objetivo da visita foi conhecer o processo de extração de canabidiol em uma fábrica localizada em Portugal. O advogado afirmou que o filho do presidente demonstrou interesse em entender o funcionamento do setor, aceitando o convite para conhecer a produção.
Ainda conforme a defesa, a viagem não resultou em qualquer acordo comercial ou parceria empresarial entre Lulinha e o lobista investigado. O advogado também declarou que os custos do deslocamento para Lisboa não foram pagos por Lulinha.
Defesa nega participação em irregularidades
Apesar da confirmação do encontro, o advogado afirma que Lulinha não teve conhecimento de eventuais irregularidades atribuídas ao chamado “Careca do INSS”. Antônio Carlos Camilo Antunes foi preso em setembro do ano passado e é apontado como um dos principais investigados em um esquema de fraudes relacionadas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
As suspeitas fazem parte de investigações conduzidas pela Polícia Federal, que lançou a Operação Sem Desconto em abril de 2025, além de apurações da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, instalada no Congresso Nacional.
Investigação cita pagamentos e mensagens
Durante as apurações, a Polícia Federal identificou cinco transferências de R$ 300 mil, totalizando R$ 1,5 milhão, realizadas por uma empresa ligada ao lobista para uma companhia pertencente à empresária Roberta Luchsinger.
Em conversas obtidas pelos investigadores, um ex-sócio de Antônio Antunes questiona um desses pagamentos. Na resposta, o lobista afirma que o valor seria “para o filho do rapaz”, sem mencionar diretamente a identidade da pessoa.
Além disso, um ex-funcionário do empresário relatou em depoimento que Antunes afirmava pagar uma espécie de mesada mensal de R$ 300 mil a Lulinha. De acordo com esse relato, o objetivo seria facilitar negociações envolvendo a empresa World Cannabis junto ao Ministério da Saúde para a venda de produtos à base de canabidiol.
As autoridades passaram a considerar a hipótese de que os pagamentos feitos à empresa de Roberta poderiam ter sido direcionados ao filho do presidente. Em outra troca de mensagens, a empresária comenta com o lobista que um envelope com o nome “Fábio” teria sido encontrado durante uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal.
Quebra de sigilos e movimentações financeiras
As investigações também levaram à quebra dos sigilos bancário e fiscal de Lulinha, determinada pela Polícia Federal em janeiro deste ano e posteriormente pela CPMI do INSS no fim de fevereiro. Entretanto, essa última decisão foi suspensa temporariamente pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o caso ainda deverá ser analisado pelo plenário da Corte.
Dados revelados pelas movimentações bancárias indicam que Lulinha registrou cerca de R$ 19,5 milhões em transações financeiras entre janeiro de 2022 e janeiro de 2026. O valor inclui entradas, saídas e transferências entre contas do próprio empresário.
Entre os registros identificados estão três depósitos feitos pelo presidente Lula entre 2022 e 2023, que somam R$ 721 mil, além de 17 transferências enviadas por Lulinha ao ex-sócio Jonas Suassuna, totalizando R$ 704 mil.
A defesa sustenta que todas as operações financeiras ocorreram dentro da legalidade e que a análise dos sigilos não apontou recursos provenientes de desvios ligados ao INSS.

