O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu uma nova frente de investigação para apurar o possível desvio de emendas parlamentares, incluindo entre os citados o líder do governo Lula na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT-CE). A ação é um desdobramento da operação da Polícia Federal que teve como foco o deputado Júnior Mano (PSB-CE), suspeito de integrar um esquema de fraudes em licitações em municípios do Ceará.
Citações ligam o líder do governo Lula a novos inquéritos
A decisão de iniciar a apuração foi assinada pelo ministro Gilmar Mendes, que autorizou a abertura de uma investigação específica no STF, voltada a autoridades com foro privilegiado. Entre os citados estão José Guimarães, Eunício Oliveira (MDB-CE), ex-presidente do Senado e o deputado Yury do Paredão (MDB-CE).
Segundo o ministro, a apuração deve esclarecer a possível participação de políticos na destinação indevida de emendas parlamentares, destacando que os nomes dos parlamentares surgiram em documentos e mensagens interceptadas pela Polícia Federal. Embora não tenham sido alvo da operação da PF realizada no dia 8, as citações motivaram o envio de material ao STF.
Mensagens interceptadas apontam articulações
Os diálogos que mencionam os parlamentares foram encontrados durante buscas que tinham como alvo Carlos Alberto Queiroz, conhecido como Bebeto do Choró (PSB). Eleito prefeito em 2023, Bebeto teve sua posse barrada pela Justiça Eleitoral e está foragido. De acordo com a PF, ele seria o operador de um esquema de corrupção que envolvia a escolha prévia de prefeituras beneficiadas por emendas, mediante pagamento de propina.
As mensagens indicam que parte dos valores era reservada como “pedágio” para garantir a liberação dos recursos, com práticas que, segundo a PF, caracterizam corrupção institucionalizada. Empresas ligadas aos envolvidos políticos também estariam sendo favorecidas por meio de transferências voluntárias.
Nome de Guimarães aparece em mensagens
Em uma das conversas interceptadas, Bebeto menciona que José Guimarães teria liberado uma emenda de R$ 2 milhões para o município de Choró, voltada a ações nas áreas de saúde e infraestrutura. Em outro momento, o operador relata que, segundo áudios atribuídos a Eunício Oliveira, este teria indicado R$ 1 milhão a Canindé (CE), município também citado na investigação.
Além disso, a Polícia Federal tomou o depoimento de uma ex-prefeita de Canindé, que alegou ter sido pressionada a devolver parte dos recursos de duas emendas atribuídas a Guimarães. A recusa teria levado ao rompimento político entre ela e aliados de Júnior Mano.
Parlamentares negam envolvimento com desvios
Em nota oficial, o líder do governo Lula, José Guimarães, afirmou que não destinou recursos às cidades mencionadas. Segundo ele, não houve indicação de emendas parlamentares para Choró, ressaltando inclusive que seu grupo político foi adversário do atual prefeito nas eleições municipais mais recentes. Quanto a Canindé, o parlamentar disse que os registros do Siafi demonstram que não houve envio de recursos em 2024 ou 2025.
A assessoria de Eunício Oliveira informou que todas as emendas são destinadas conforme a legislação vigente, de forma transparente. Sobre Canindé, afirmou que a indicação foi feita apenas em maio deste ano e que o próprio parlamentar solicitou ao Ministério da Saúde a suspensão da transferência.
Já a assessoria de Yury do Paredão ressaltou que todas as movimentações podem ser consultadas no Portal da Transferência da Câmara dos Deputados, o que garantiria, segundo eles, a legalidade das ações do deputado.

