A Justiça Federal dos Estados Unidos marcou uma nova audiência do processo que envolve Maduro, ex-presidente da Venezuela, e sua esposa, Cilia Flores. A decisão foi tomada após a audiência de custódia realizada nesta segunda-feira, 5, em Nova York. O caso reúne acusações graves apresentadas pelo governo norte-americano, que investiga suposta atuação do ex-líder venezuelano em atividades criminosas de alcance internacional.
Audiência de custódia e nova data definida
Ao fim da sessão conduzida pelo juiz Alvin K. Hellerstein, da Justiça Federal de Nova York, foi estabelecido que o casal voltará a comparecer ao tribunal no dia 17 de março. Maduro e Cilia Flores chegaram ao local sob forte escolta armada e permaneceram sob custódia durante toda a audiência.
De acordo com as autoridades, após o encerramento da sessão, o ex-presidente foi reconduzido ao centro de detenção no Brooklyn, onde permanece preso enquanto o processo avança.
Acusações contra Maduro nos Estados Unidos
O processo criminal atribui a Maduro quatro acusações formais, entre elas conspiração para importação de cocaína em território norte-americano e posse de armamento pesado, como metralhadoras e outros equipamentos classificados como destrutivos.
Segundo a promotoria dos Estados Unidos, o ex-ditador teria liderado uma estrutura internacional de tráfico de drogas. A acusação sustenta que essa rede mantinha conexões com cartéis mexicanos, como Sinaloa e Zetas, além de grupos armados da Colômbia e da facção venezuelana conhecida como Tren de Aragua.
Os investigadores afirmam que essas alianças teriam facilitado o envio de grandes quantidades de entorpecentes para fora da América do Sul.
Defesa nega acusações e aponta motivações políticas
Desde o início das apurações, Maduro nega envolvimento com qualquer atividade ilegal. Em sua defesa, ele sustenta que as denúncias teriam motivação política e econômica, alegando que interesses estrangeiros estariam por trás das acusações, especialmente relacionados às reservas de petróleo da Venezuela.
Para o governo norte-americano, o andamento do processo reforça a política adotada pelo presidente Donald Trump de endurecer o combate ao narcotráfico e à imigração irregular. Caso seja considerado culpado, Maduro poderá enfrentar uma pena mínima de 30 anos de prisão, com possibilidade de condenação à prisão perpétua.
Investigações apontam atuação iniciada há décadas
De acordo com os documentos apresentados à Justiça, a suposta atuação criminosa de Maduro teria começado no ano 2000, quando ele passou a integrar a Assembleia Nacional da Venezuela. As investigações indicam que as atividades teriam continuado ao longo dos anos, inclusive após sua eleição à Presidência em 2013, sucedendo Hugo Chávez.
Uma denúncia adicional, divulgada no sábado, 3, ampliou a lista de acusados. Além de Cilia Flores, foram incluídos Nicolás Ernesto Maduro, filho do ex-presidente, o ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, o ex-ministro Ramón Rodríguez Chacín e Héctor Rusthenford Guerrero Flores, apontado como líder do Tren de Aragua.

