*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A Justiça de Cuiabá concedeu prisão domiciliar a Sebastião Lauze Queiroz de Amorim, presidente de um time de futebol amador e acusado de liderar um esquema criminoso. A decisão, tomada na última quinta-feira, dia 21 de agosto, atendeu a um laudo médico que comprovou que o investigado sofre de uma cardiopatia grave. Ele terá que usar tornozeleira eletrônica.
Apesar da decisão, o juiz responsável pelo caso ressaltou que a prisão preventiva do acusado continua válida, mas considerou que o sistema prisional não tem condições de fornecer o tratamento de saúde necessário para a cardiopatia. O juiz também autorizou Sebastião a comparecer ao velório e enterro de seu irmão, morto em confronto com a polícia. Ele deverá colocar a tornozeleira eletrônica na próxima segunda-feira, dia 25 de agosto.
Sebastião foi preso durante a Operação Ludus Sordidus, que investiga uma facção criminosa por tráfico de drogas, jogos de azar, estelionato e lavagem de dinheiro.
Segundo a Polícia Civil, o acusado usava projetos sociais como fachada para controlar as atividades ilegais nos bairros Osmar Cabral e Jardim Liberdade.
De acordo com as investigações, o acusado recebia 10% do lucro de uma plataforma de apostas clandestina e se beneficiava de golpes aplicados em sites de compra e venda.
MORTE DO IRMÃO DO ACUSADO
João Bosco Queiroz de Amorim, irmão de Sebastião Lauze Queiroz de Amorim, investigado na Operação Ludus Sordidus, morreu em confronto com a Polícia Civil na última quinta-feira, dia 21 de agosto.
Ele foi baleado após reagir à abordagem policial e não resistiu a gravidade dos ferimentos.
João Bosco chegou a ser socorrido e levado para o Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), mas morreu logo após dar entrada na unidade.
O corpo dele foi encaminhado para o IML onde vai passar por exame de necropsia.
As investigações apontam que João Bosco era uma espécie de braço direito de seu irmão.
A OPERAÇÃO DA POLÍCIA
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã da última quinta-feira, dia 21 de agosto, a Operação Ludus Sordidus para desarticular um esquema criminoso em Várzea Grande. Entre os presos estão o proprietário de um time de futebol e um influenciador digital, ambos suspeitos de integrar uma facção criminosa.
Eles foram identificados como Sebastião Lauze, conhecido como “Véio” e “dono da quebrada”, e Dainey Aparecido da Costa, o “Deniz Bet”. Ambos são investigados por envolvimento em jogos de azar, estelionatos, tráfico de drogas e lavagem de capitais.
OS PAPÉIS DOS SUSPEITOS NO ESQUEMA
De acordo com as investigações, Sebastião Lauze usava a fachada de proprietário e presidente do time SN Futebol Clube, em Várzea Grande, para realizar ações sociais e controlar atividades criminosas. Ele é suspeito de monopolizar e lucrar com estelionatos e tráfico de drogas na região.
Já Dainey Aparecido da Costa, o “Deniz Bet”, divulgava jogos de azar, como o “Tigrinho”, nas redes sociais, onde ostentava grandes somas de dinheiro e viagens. Ele já estava preso desde fevereiro, acusado de tráfico de drogas.
A OPERAÇÃO E A INVESTIGAÇÃO
A Operação Ludus Sordidus cumpriu 38 ordens judiciais em Cuiabá, Várzea Grande e Nova Odessa, em São Paulo. Foram cumpridos 10 mandados de prisão preventiva, 8 de busca e apreensão, e o sequestro de bens e contas que totalizam mais de R$ 13,3 milhões.
A investigação teve início em dezembro de 2023, após membros da facção criminosa interromperem uma reunião comunitária no bairro Jardim Liberdade, em Cuiabá. A partir desse incidente, a Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) iniciou as apurações que revelaram a estrutura do grupo, que usava fachadas lícitas para cometer crimes e lavar dinheiro

