A votação do Projeto de Lei (PL) da Anistia foi barrada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), levando o Partido Liberal (PL) a manter a obstrução total na Casa. O impasse ocorreu após Motta orientar líderes partidários a não assinarem o requerimento de urgência, que permitiria a análise direta da proposta no plenário, sem passar por comissões.
Motta pede a líderes que não assinem Requerimento de Urgência
Durante reunião de líderes na quinta-feira (3), Hugo Motta solicitou que os partidos não formalizassem apoio ao trâmite acelerado do PL da Anistia. A decisão gerou reação imediata do Partido Liberal, que decidiu continuar com a obstrução como forma de pressão.
O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que Motta segue sendo aliado da sigla, mas destacou a necessidade de compreender as pressões enfrentadas pelo presidente da Casa. “Ele está alinhando procedimentos e fazendo comunicações, por isso pediu momentaneamente que os líderes não assinassem o requerimento”, explicou.
Diante da resistência de Hugo Motta, o Partido Liberal adotou uma nova estratégia: coletar assinaturas individuais de deputados favoráveis à anistia. O objetivo é demonstrar apoio suficiente para que a proposta seja incluída na pauta, mesmo sem o aval dos líderes partidários.
“Como o presidente Motta pediu que os líderes não assinassem, começamos a recolher assinaturas diretamente dos parlamentares”, disse Sóstenes. Segundo ele, apenas o PL e o Novo já haviam formalizado apoio ao requerimento de urgência antes da intervenção de Motta.
Entenda o contexto do PL da Anistia
O projeto em discussão visa conceder anistia a punições administrativas e financeiras relacionadas a atos políticos durante períodos de crise institucional. A proposta é defendida por grupos que alegam excessos em processos judiciais e administrativos nos últimos anos.
Apesar da mobilização do Partido Liberal, a decisão de Hugo Motta adiou a análise do texto, que agora depende de negociações entre as bancadas. Enquanto isso, a obstrução do PL deve impactar a pauta de votações na Câmara.
A postura de Hugo Motta adicionou um novo capítulo à disputa em torno do PL da Anistia. Com o Partido Liberal mantendo a obstrução e buscando alternativas para viabilizar a votação, o cenário permanece incerto. A próxima semana será decisiva para verificar se o presidente da Câmara cederá às pressões ou se o impasse se estenderá.
Enquanto isso, a estratégia de coletar assinaturas individuais pode se tornar um trunfo para os defensores da proposta, que esperam acelerar a tramitação assim que houver sinal verde de Motta.