O governo federal registrou, em 2025, o maior volume de gastos com diárias e passagens da administração pública nos últimos 11 anos. Dados levantados pelo portal Poder360 indicam que a União destinou R$ 3,88 bilhões para despesas relacionadas a deslocamentos oficiais, incluindo passagens aéreas, transporte terrestre e pagamentos de diárias a servidores e autoridades.
Evolução dos gastos com diárias e deslocamentos
O valor desembolsado em 2025 representa um crescimento real de 3,7% em relação a 2024, quando as despesas corrigidas pela inflação somaram R$ 3,74 bilhões. Esse patamar é o mais elevado desde 2014, ano em que os gastos chegaram a R$ 4,52 bilhões durante o governo Dilma Rousseff.
Passagens e locomoção concentram maior alta
Do total gasto no último ano, R$ 1,63 bilhão foi destinado a passagens e locomoção, o que corresponde a um aumento de 9% em comparação com o exercício anterior. Já os valores pagos em diárias alcançaram R$ 2,25 bilhões, com avanço mais moderado, de 0,2%, no mesmo período.
Expansão da estrutura administrativa
O crescimento dessas despesas está relacionado, em parte, à ampliação da estrutura ministerial no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No início do atual governo, o número de ministérios passou de 23 para 38, ampliando a necessidade de deslocamentos oficiais e, consequentemente, o pagamento de diárias a servidores e integrantes do alto escalão.
Impacto no custo total da administração federal
Além dos gastos com deslocamento, o conjunto das despesas administrativas da União também apresentou alta significativa. Em 2025, o custo total da administração pública federal atingiu R$ 72,7 bilhões, um aumento real de 11,6% em relação ao ano anterior. Esse é o maior nível registrado desde 2016, quando as despesas alcançaram R$ 77,7 bilhões.
Tendência desde o início do atual mandato
A série histórica analisada mostra que a elevação dos gastos com viagens oficiais ocorre de forma contínua desde 2023. Diferentemente de períodos anteriores, marcados pela redução de deslocamentos em razão da digitalização de processos e do uso de reuniões virtuais, a atual gestão retomou uma agenda com maior presença física de autoridades em compromissos institucionais.
Pressão sobre o orçamento público
Segundo o levantamento, a manutenção de 38 ministérios segue como um dos principais fatores de pressão sobre as despesas com passagens e diárias na Esplanada dos Ministérios. Esse crescimento ocorre em meio a discussões sobre o equilíbrio fiscal e a necessidade de controle dos gastos públicos.

