A Caixa Econômica Federal confirmou que lançará, até o fim de novembro, sua própria plataforma de apostas esportivas online, batizada de Bet da Caixa. O anúncio foi feito pelo presidente da instituição, Carlos Antônio Vieira Fernandes, que prevê uma arrecadação entre R$ 2 bilhões e R$ 2,5 bilhões no primeiro ano de operação da nova modalidade.
O movimento ocorre em meio ao avanço das apostas digitais no país, que vêm impactando a receita das loterias tradicionais. No primeiro trimestre de 2025, a arrecadação da Caixa com loterias foi de R$ 5,5 bilhões, uma queda de 29% em relação ao último trimestre de 2024 e de 10% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Apesar de não relacionar diretamente a queda ao crescimento das bets, Vieira reconheceu que os resultados anuais devem ser inferiores aos de 2024, quando o total arrecadado foi de R$ 27 bilhões.
Mercado de apostas cresce e pressiona as loterias tradicionais
De acordo com dados da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, o mercado de apostas on-line movimentou cerca de R$ 17,4 bilhões apenas nos seis primeiros meses de 2025. O montante corresponde ao valor gasto pelos apostadores, descontados os prêmios pagos. O crescimento expressivo desse segmento tem levado instituições financeiras e operadoras públicas, como a Caixa, a buscar novas formas de participação no setor.
Vieira Fernandes afirmou que a Bet da Caixa é uma resposta à transformação do comportamento dos apostadores brasileiros, que migraram em massa para plataformas digitais. O objetivo da estatal é oferecer uma alternativa confiável, regulamentada e com a credibilidade da marca Caixa.
Críticas no Congresso sobre a Bet da Caixa
A iniciativa, no entanto, gerou forte reação no Congresso Nacional. Em pronunciamento no plenário do Senado na quarta-feira (22), a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) criticou a decisão, classificando-a como “um dos maiores retrocessos morais e sociais da história recente do país”.
Segundo Damares, o lançamento da Bet da Caixa contraria o papel social da instituição e o discurso do governo federal de combater os efeitos nocivos das apostas on-line. Ela argumentou que a estatal, criada para promover habitação popular, inclusão financeira e desenvolvimento social, estaria se associando a um setor que, em sua visão, estimula o vício e a vulnerabilidade econômica.
A parlamentar também lembrou que o Executivo recentemente impôs restrições às apostas feitas por beneficiários do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC). Para ela, a entrada da Caixa nesse mercado pode acabar legitimando as apostas junto à população mais pobre.
“Aquelas pessoas que tinham receio das bets, agora poderão confiar nelas porque estarão vinculadas à Caixa, uma instituição com boa imagem”, declarou Damares durante o discurso. Ela alertou ainda que a associação entre a marca pública e as apostas pode aumentar o consumo de jogos on-line entre grupos vulneráveis.
O lançamento da Bet da Caixa marca um novo capítulo no mercado de apostas brasileiro. Enquanto a Caixa busca recuperar receitas perdidas com a queda nas loterias tradicionais e acompanhar a modernização do setor, parte do Congresso vê a medida com preocupação moral e social. O projeto, previsto para estrear até o fim de novembro, promete reacender o debate sobre o papel das estatais em um mercado em rápida expansão e sobre os limites entre lucro e responsabilidade social.

